OIT afirma que desemprego global atingiu quase 200 milhões em 2013

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Relatório da agência da ONU diz que este ano mais 3,2 milhões de pessoas devem perder o trabalho; especialistas calculam que nos próximos cinco anos 90% dos empregos serão criados em países em desenvolvimento e emergentes.

Especialização de novos trabalhadores. Foto: Banco Mundial/Alex Baluyut

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Relatório anual da Organização Internacional do Trabalho, OIT, mostrou que o desemprego global atingiu 199,8 milhões de pessoas em 2013. A agência da ONU acredita que mais 3,2 milhões devem perder o emprego este ano.

A OIT diz que se nada for feito para mudar essa situação, até 2019 o número de desempregados deve chegar a 213 milhões. Os especialistas informaram que o índice de pessoas sem trabalho no mundo é de 6% e esse nível deve permanecer inalterado pelos próximos três anos.

Novos Empregos

Além disso, o relatório da OIT prevê que 90% dos novos empregos em todo o mundo serão criados nos países em desenvolvimento e emergentes.

O relatório cita ainda que nos próximos cinco anos 213 milhões de jovens vão entrar no mercado de trabalho, 200 milhões somente nas nações em desenvolvimento.

O vice-diretor da Organização Internacional do Trabalho na ONU, Vinícius Pinheiro falou à Rádio ONU sobre o levantamento.

"A mensagem clara do relatório é que não é possível pensar em desenvolvimento sem geração de empregos. O desafio de você criar 230 milhões de empregos nos próximos cinco anos e 460 milhões nos próximos 10 deve ser a base da discussão da Agenda de Desenvolvimento da ONU."

Para os especialistas, isso gera uma preocupação a mais porque o desemprego entre os jovens atualmente passa dos 12% nos países em desenvolvimento, o triplo do índice entre os adultos.

As áreas mais afetadas para os jovens são o Oriente Médio e o norte da África, onde praticamente um terço não tem emprego. Para 2014, a agência da ONU calcula que o desemprego atinja os níveis mais altos em partes da Europa e nas ex-repúblicas soviéticas.

Brasil

O Brasil é citado no documento pelo programa Bolsa Família, como fator de ajuda para reduzir a pobreza.

A OIT menciona também outro projeto brasileiro importante para o ambiente corporativo e de criação de empregos que é o programa de treinamento vocacional para ajudar na especialização de novos trabalhadores.

O relatório lembra que o desempenho do Brasil na última década tem sido muito bom com um crescimento médio de 2,6% entre 2004 e 2012. O índice de pobreza caiu de 22% para 10% entre 2001 e 2009.

Ao mesmo tempo, Vinícius Pinheiro indica alguns desafios como as baixas taxas de investimento em relação ao Produto Interno Bruto, PIB. A baixa qualidade da força de trabalho e nível inadequado de investimento em infraestrutura.

Modelo

"Tudo isso gera limitações ao modelo de crescimento que foi baseado no momento de consumo e também de endividamento. É fundamental passar a uma segunda fase de

Vinícius Pinheiro Foto: OIT

crescimento econômico que tenha como um dos pontos fundamentais o aumento do investimento em relação ao PIB."

Para a OIT, a melhora da qualidade dos empregos é essencial para atacar também o subemprego de jovens e adultos, que representa um grande problema econômico em economias emergentes e países em desenvolvimento.

O documento alerta que o número de trabalhadores na pobreza continua muito alto apesar dos progressos alcançados, 839 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento ganham menos de US$ 2 por dia, quase R$ 5.

Hoje, eles representam aproximadamente um terço dos trabalhadores globais, em 2000 eram mais da metade do mercado de trabalho. 

Emprego Vulnerável

Os especialistas disseram que mais da metade da mão de obra trabalhadora mundial, 1,5 bilhão de pessoas, vive em condições de emprego vulnerável, quer dizer, com salários baixos e sem benefícios.

A migração é outro fator importante na busca por empregos. Segundo a OIT, no ano passado mais de 230 milhões de pessoas viviam em países que não eram o de origem. Em 2000, esse número era de 57 milhões.

Saída

O relatório aponta também que, pela primeira vez, a criação de empregos de alta qualidade pode levar a um crescimento sustentável.

O diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que o desenvolvimento não acontece apenas através de exportações, livre-comércio e investimento estrangeiro direto.

Segundo Ryder, proteção social, respeito aos padrões básicos trabalhistas e políticas que promovam o emprego formal também são cruciais para a criação de empregos de qualidade.

Ele explicou que esses empregos aumentam o padrão de vida dos trabalhadores, assim como o consumo doméstico e o crescimento econômico, em geral.

Ryder disse que oportunidades de trabalho decente para mulheres e homens ajudam no desenvolvimento e na redução da pobreza.

O relatório da OIT cita a importância de combinar medidas de proteção social com estratégias que visam o aumento da produtividade.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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