Hospitais em África ilustram drama da defecação ao ar livre, diz relatora

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Catarina Albuquerque aponta falta de vontade política, silêncio de comunidades e tabus como barreiras para deter o problema; ONU lançou campanha global a decorrer até finais de 2015.

Hospital na Somália. Foto: ONU/Tobin Jones

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A relatora da ONU sobre o Direito à Água e Saneamento chamou a atenção para os motivos da ocupação de hospitais africanos num alerta para o combate à defecação ao céu aberto.

Falando à Rádio ONU, de Lisboa, Catarina de Albuquerque pediu maior vontade política para resolver as questões de saneamento a nível global.

Campanha

As declarações da especialista foram feitas no dia em que a ONU lançou, Nova Iorque, uma campanha global com foco na defecação ao ar livre a decorrer até finais de 2015.

"Metade das camas dos hospitais em África está ocupada por pessoas que sofrem de doenças derivadas da falta de qualidade da água e saneamento a céu aberto. E porque é que a água é de fraca qualidade, precisamente por causa da defecação aberto. Porque depois as fezes e a urina infiltram-se dentro da terra com as chuvas, entram dentro dos aquíferos e dentro da água dos poços que as pessoas vão beber", declarou.

Pobreza

Nesta quarta-feira, a relatora apontou para as consequências aos países dos tabus aliados ao que chamou falta de voz dos afetados pela pobreza e por doenças em grupos vulneráveis e comunidades.

"Portanto, tudo isto é um ciclo vicioso que custa imensos recursos aos países, não só em termos de cuidados de saúde, as camas dos hospitais e nos dinheiro perdido. Centenas de milhões de dias de escola são perdidos todos os anos, pura e simplesmente porque a água não tem qualidade e, muitas das vezes, tem que ver com a falta de saneamento adequado", ressaltou.

A iniciativa da ONU pretende eliminar a prática da defecação ao ar livre e melhorar o acesso aos sanitários e latrinas para 2,5 mil milhões de pessoas sem acesso ao saneamento básico.

A organização classifica, entretanto, de positiva a ação de comunidades, dos líderes locais e dos políticos para acabar com a prática.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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