A ambição de usar a cultura para consolidar a paz na Guiné-Bissau

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Mentores de ONG que pretende alcançar a meta conversaram com a Rádio ONU nas vésperas da celebração do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura nas Nações Unidas; evento decorre esta quarta-feira na sede da organização.

Brian King e Zé Manel.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O uso da cultura para a consolidação da paz na Guiné-Bissau é a aposta de uma entidade da sociedade civil presente, esta quarta-feira, na celebração do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na ONU.

Trata-se da ONG Cubiana, que há seis anos está por detrás da realização do festival da ilha guineense de Bubaque.

Projeto 

Em conversa com a Rádio ONU, em Nova Iorque, o cofundador da iniciativa, Brian King, revelou as bases do seu envolvimento de mais de 20 anos com a Guiné-Bissau, que veio a culminar com o nascimento do projeto cultural.

"Os que trabalham na consolidação da paz e na gestão de conflitos procuram fazer alguma atividade que  pode levar para frente a valorização mútua para uma sociedade mais aberta. Para nós estes são os aspetos fundamentais: projetos mútuos, conjuntos e colaborativos além de realçar projetos culturais positivos e diversos", referiu.

Estabilização

Bubaque é realizado no sul do país que está num processo de estabilização após o golpe de Estado de abril de 2012. O sonho da ONG é que o festival passe a ser um ponto de encontro de artistas sonantes nacionais e do mundo.

A conversa decorreu durante os preparativos da apresentação em palco dos sucessos da banda guineense Super Mama Djombo nas Nações Unidas.

Veículo para a identidade. Foto: Ouri Pota.

Expectativa

O evento é organizado pelos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, a 11 dias da segunda volta das presidenciais na Guiné-Bissau. A primeira decorreu em simultâneo com as legislativas a 13 de abril.

O líder do grupo guineense, Zé Manuel, que é também cofundador da Cubiana, afirmou que num momento de expectativa atuar na organização é um incentivo para cidadãos do país.

Encorajamento

"Eu acho que a banda representa a cultura guineense. Seguiu sempre o problema político, o problema do desenvolvimento social, cantou os problemas do povo. O Super Mama Djombo é uma banda do povo. E uma banda quando é do povo não morre. Deixa a pessoa muito alegre saber que a Guiné-Bissau, com tantos problemas de estabilidade política, (ter) uma oportunidade assim é para agradecer. Agradecer a comunidade da língua portuguesa que está aqui nas Nações Unidas que lembrou da Guiné-Bissau. É um encorajamento."

A Cubiana prevê que eventos culturais de grande vulto venham a impulsionar a economia da Guiné-Bissau, que continua afetada pelas consequências do golpe.

Identidade

Brian King considera ainda que o clima eleitoral carrega a esperança e os planos de projeção da cultura guineense como "um lado positivo do país" a ser projetado para o mundo.

"A indústria cultural tem muito potencial quando é vista sob a perspetiva de promover o turismo através da cultura, criar festivais com efeito em termos de atividade económica e através da identidade cultural. Sabe-se que esta é geradora de muita atividade económica. A música na Guiné-Bissau é também um veículo importantíssimo para a identidade. Todo o apoio para o setor cultural é também um apoio para a sociedade em geral."

Para já, a aposta da Cubiana é continuar a promover a música, a cultura e a gastronomia associados ao festival da ilha de Bubaque na realização que conta com a parceria da União Europeia.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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