Unmiss alerta para morte de civis com base em origem étnica em Bentiu

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Nesta segunda-feira, operação de paz registou assassinato de 200 pessoas em mesquita; em igreja e em outros locais da cidade também houve mortos após verificação de identidade, origem étnica e nacionalidade.

Unmiss no Sudão do Sul. Foto: Unmiss/Anna Adhikari

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, Unmiss, condenou com veemência o assassinato de civis com base na sua origem étnica e nacionalidade na cidade de Bentiu.

As declarações constam de um comunicado emitido, esta segunda-feira, dando conta do assassinato de centenas de civis estrangeiros e sul-sudaneses na capital do estado nortenho de Unidade.

200 Mortos

O comunicado retrata a morte de 200 pessoas que buscavam abrigo, na passada terça-feira, na mesquita de Kali-Ballee. Durante a ação, foram feridas outras mais de 400.

Numa igreja católica e num complexo desocupado do Programa Mundial de Alimentação, soldados da oposição do Spla também abordaram os civis em busca de refúgio. A intenção foi verificar a sua identidade, origem étnica e nacionalidade, depois da qual várias vítimas "foram alvejadas e mortas."

Discurso de Ódio

A Unmiss também também condena veementemente o uso da emissora de rádio Bentiu FM, pelo que considera de "alguns indivíduos associados à oposição com vista a transmitir discursos de ódio."

O comunicado refere que, enquanto os comandantes dos opositores do Spla pedem unidade e o fim do tribalismo, outros elementos difundem mensagens a declarar que certos grupos étnicos não devem ficar em Bentiu. A nota destaca que as mensagens chegam a "apelar os homens de determinada comunidade a cometer violência sexual retaliatória contra mulheres da outra."

Atrocidades

Investigadores de direitos humanos da missão confirmam a captura e a morte de centenas de civis nacionais e estrangeiros a 15 e 16 de abril, pelas forças da oposição do Spla, em vários locais. A série de atos ocorreu em vários locais, após a determinação da sua etnia ou nacionalidade.

A Unmiss quer que as atrocidades sejam "plenamente investigadas e que os seus autores e comandantes sejam responsabilizados."

Inocentes

O chefe interino da Unmiss, Raisedon Zenenga, também lembrou às partes da obrigação de proteger os civis, tendo exortado que cesse imediatamente a busca sistemática de inocentes e de civis desarmados.

A nota pede, igualmente, o respeito do acordo de cessação das hostilidades, assinado em janeiro entre o governo e a oposição sul-sudanesa.

Entre as atrocidades descritas no relatório conta a do Hospital de Bentiu, onde homens, mulheres e crianças nouer foram mortos por se esconderem ou por se terem recusado a juntar-se a  membros do grupo para saudar as forças que entravam na cidade.

A lista indica a morte de membros de outras comunidades sul-sudanesas incluindo darfurianos alvejados e mortos dentro das mesmas instalações.

Escoltados

Na terça e quarta-feira a Unmiss retirou centenas de pessoas sob ameaça de violência em vários locais de Bentiu e Rubkona onde se tinham abrigado.

Mais de 500 civis, incluindo vários feridos, foram retirados do hospital de Bentiu e de outros locais e escoltados para as instalações da missão que atualmente acolhem mais de 12 mil civis.

Nas próximas semanas, a missão promete divulgar um relatório abrangente dos abusos cometidos desde o início do conflito a 15 de dezembro, em Bentiu e em outras partes do Sudão do Sul.

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