FAO: índice de preços dos alimentos é o mais alto desde maio de 2013

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Agência da ONU informou que o aumento foi de 2,3%; especialistas disseram que as razões foram as condições climáticas no Brasil e nos EUA e as tensões na região do Mar Negro.

Índice de preços dos alimentos disparou para o nível mais alto dos últimos 10 meses. Foto: Banco Mundial/John Mackedon

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, alertou que o índice de preços dos alimentos disparou para o nível mais alto dos últimos 10 meses.

Segundo a FAO, a alta em março foi de 2,3%, ou 4,8 pontos, atingindo uma média de 212,8 pontos.

Brasil

O economista sênior da agência da ONU, Abdolreza Abbassian, disse que o índice foi influenciado, como era esperado, pelas condições climáticas desfavoráveis no Brasil e nos Estados Unidos.

Outro fator são as tensões geopolíticas na região do Mar Negro, envolvendo a Ucrânia e a Rússia.

Abbassian disse, por exemplo, que o índice de preços dos cereais da FAO alcançou uma média de 205,8 pontos no mês passado, 10 a mais do que o registrado em fevereiro.

Os preços das importações de trigo e milho subiram e continuam elevados devido às preocupações com o impacto da seca no trigo americano e brasileiro.

Açúcar

O índice de preço do açúcar também aumentou no mundo devido a uma queda na oferta do produto no Brasil e na Tailândia, principalmente por causa da seca e da diminuição na produção de cana-de-açúcar.

A tendência de alta foi vista também nos óleos vegetais e na carne. A única queda foi registrada em relação aos laticínios.

O relatório Monitor de Mercado da FAO citou a alta da produção de cereais em 2013, que atingiu 2,5 bilhões de toneladas. Isso vai de acordo com uma nota da agência sobre a procura e a oferta de cereais.

A mensagem cita melhores perspectivas para o abastecimento mundial de cereais e expectativas de um comércio recorde para a temporada de 2013/2014.

Previsões

Abbassian falou que ainda é muito cedo para fazer previsões sobre a produção de cereais, já que as sementes ainda não foram plantadas e as condições climáticas são um fator chave na colheita.

Apesar disso, a FAO calcula que a produção mundial de trigo deve atingir 702 milhões de toneladas neste ano, 2% abaixo das colheitas recorde de 2013.

No caso da produção de arroz, a agência da ONU indica um aumento modesto de somente 0,8% em relação ao ano passado.

Agricultor produz arroz nas Filipinas. Foto: Banco Mundial/Danilo Pinzon

Desperdício

A FAO está preocupada também com as perdas e o desperdício de alimentos.

Numa conferência regional esta quinta-feira em Bucareste, as autoridades pediram ação imediata dos setores público e privado e, também, uma mudança de hábito dos consumidores.

Os ministros da Agricultura da Europa e da Ásia examinaram dados que mostram a quantidade de comida que vai para o lixo na região, comparado com o que acontece em países de baixa, média e alta rendas.

Eles detectaram vários padrões diferentes. A maioria das perdas nos países desenvolvidos acontece na hora do consumo. Já nos países de baixa e média rendas as maiores perdas ocorrem na produção e pós-colheita.

Segundo a FAO, o comportamento do consumidor é parte do problema, que inclui ainda desperdício durante o estoque, transporte e processamento dos alimentos.

A agência apoia a iniciativa "Fome Zero", do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que tem como meta acabar com as perdas e o desperdício de alimentos como um dos cinco objetivos para atingir um mundo sem fome.

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