Cientistas decodificam genoma da mosca tsé-tsé

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Doença afeta cerca de três milhões de animais na África Subsaariana todos os anos; seres humanos picados pela mosca podem desenvolver a doença do sono que, sem tratamento, pode ser fatal.

A doença atinge três milhões de animais por ano na África Subsaariana. Foto: FAO/Marzio Marzot

Michelle Alves de Lima, da Rádio ONU em Nova York.*

Depois de uma colaboração internacional que durou dez anos, cientistas conseguiram decodificar o genoma da mosca tsé-tsé, transmissora da doença do sono.

O estudo involveu o Laboratório de Controle de Insetos Vetores, em Viena, que faz parte de uma iniciativa conjunta da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, com a Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea.

África Subsaariana

A descoberta permitirá que cientistas estudem os genes da mosca e suas funções, facilitando as pesquisas para o controle do inseto.

O brasileiro Rubens Ribeiro Marx Junior, que foi picado pela mosca tsé-tsé em 1963, durante um safári em Angola, falou à Rádio ONU, de Brisbane, na Austrália, sobre os sintomas e tratamento da doença.

"Os sintomas foram dor de cabeça, sonolência, náusea, vômito, e aí me colocaram no avião e me levaram a um hospital em Livingstone, na Rodésia, hoje Zâmbia, era Rodésia do Norte naquela época. E eu fiquei no hospital em coma durante um mês. O médico do hospital em Livingstone tratou da minha doença do sono com a injeção Antripol."

Cura

Segundo Rubens, a injeção foi responsável pela sua cura. No entanto, ela deixou consequências.

"Com a injeção que eles me deram, a sequela foi que eu me tornei esquizofrênico paranóico, e eu tomo medicamento até hoje."

Controle

Encontrada apenas na África, as moscas tsé-tsé são vetores para parasitas unicelulares que causam a tripanossomíase, doença muitas vezes letal que afeta cerca de três milhões de animais na África Subsaariana todos os anos, prejudicando o meio de subsistência de fazendeiros e a segurança alimentar.

A doença leva a uma condição crônica debilitante que reduz a fertilidade, o ganho de peso, a produção de carne e de leite, e faz com que o gado fique muito fraco para ser usado para o trabalho no campo ou para o transporte, afetando a produção agrícola.

Mamíferos

Seres humanos picados pela mosca podem desenvolver a doença do sono que, sem tratamento, pode ser fatal.

Segundo a FAO, não existe vacina contra a doença transmitida pela mosca tsé-tsé pois o parasita consegue escapar do sistema imunológico dos mamíferos. Sendo assim, os métodos de prevenção existentes involvem tratamentos com pesticidas e estratégias de esterilização de insetos machos.

A Divisão conjunta da FAO e da AIEA de Técnicas Nucleares em Alimentação e Agricultura atualmente apoia 14 países africanos em seus esforços para combater a tripanossomíase através do controle da população de moscas tsé-tsé. A técnica involve integrar os insetos estéreis com outros métodos de controle.

*Apresentação: Leda Letra.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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