Brasil precisa reforçar imagem positiva sobre cooperação com África

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Chefe da Comissão Econômica das Nações Unidas para África diz à Rádio ONU que país tem "capital de simpatia" enorme, mas expectativas do continente em relação ao Brasil já começaram a baixar.

Carlos Lopes Foto: ECA

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A cooperação do Brasil com os países africanos, especialmente os de língua portuguesa, precisa ser revitalizada.  A declaração é do doutor em Economia e especialista em desenvolvimento, Carlos Lopes.

Chefe da Comissão Econômica das Nações Unidas para África, Lopes afirma que o potencial de crescimento de negócios entre o Brasil e as nações africanas é enorme. Mas segundo ele, a expectativa no continente em relação ao país não é mais a mesma que a registrada nos últimos anos.

Expansão de Mercados

Carlos Lopes falou com exclusividade à Rádio ONU durante sua viagem oficial a Nova York para apresentar o Relatório Econômico sobre África 2014, na sede das Nações Unidas.

"Eu acho que o Brasil tem um capital de simpatia em África enorme que foi conquistado também pelas ações também do governo do presidente Lula. Neste momento, acho que existe uma espécie de expectativa de que isso possa continuar, mas já não está no seu apogeu. Já houve uma altura em que a expectativa era mais elevada. Acho que o Governo Brasileiro deverá ter que investir, outra vez, no reforço desta imagem muito positiva que tinha começado a construir. Eu acho que isso é importante porque, naturalmente, há um encaixe entre as possibilidades de expansão de mercados de algumas empresas brasileiras e os interesses da África."

Capital de Complementariedade

Segundo Carlos Lopes, o Brasil está numa posição única para expandir a cooperação e os investimentos no continente africano por causa de sua natureza e das semelhanças históricas que têm com os países da África.

"O Brasil tem todas as condições para ajudar a industrialização da África, mas também para ajudar ainda mais uma transformação agrícola na África porque os seus biomas são muito parecidos com os da África. Algumas das grandes revoluções que conseguiu a Embrapa, em termos de melhorias de espécies tanto vegetais como animais, têm o seu embrião em espécies vegetais e animais africanas. Temos ali um capital de complementaridade enorme, para além de, evidentemente, de todos os laços históricos, emotivos e afetivos, que possam existir entre os dois continentes."

De acordo com o Relatório Econômico das Nações Unidas sobre África 2014, o continente precisa de realizar uma industrialização e uma revolução agrícola para gerar mais condições de crescimento.

O documento analisou o caso de 11 países africanos que estão aplicando políticas inovativas de sucesso entre eles África do Sul, Nigéria e Ruanda.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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