Alta comissária da ONU diz que Sudão do Sul está à beira da catástrofe

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Navi Pillay fez a declaração no encerramento de uma viagem oficial ao país para apurar a situação de violações dos direitos humanos no país africano.

Navi Pillay visita o Sudão do Sul. Foto: ONU/Isaac Billy

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

As Nações Unidas afirmaram que a situação da violência no Sudão do Sul colocou o país à beira da catástrofe.

A declaração foi feita pela alta comissária de direitos humanos da organização, Navi Pillay. Ela encerrou uma visita ao Sudão do Sul nesta quarta-feira.

Ataque Retaliatório

Em entrevista a jornalistas em Juba, capital do país, Pillay lembrou o assassinato de centenas de pessoas, a maioria civis, em meados de abril em Bentiu. A alta comissária mencionou ainda o que chamou de ataque retaliatório ao centro de proteção da ONU na cidade de Bor, que matou 58 pessoas.

Segundo ela, sem a intervenção de boinas-azuis da Índia, os assassinos teriam feito ainda mais vítimas.

Decisão

Navi Pillay contou que foi enviada ao Sudão do Sul para apurar a situação após os assassinatos e com base numa decisão do Conselho de Segurança da ONU. O objetivo é fazer uma investigação dos fatos. Além disso, ela se reuniu com o presidente do país, Salva Kiir, e com o ex-vice-presidente e agora opositor do governo, Riek Machar.

Durante a missão, Pillay contou com o apoio do conselheiro especial sobre prevenção ao genocídio, Adama Dieng.

A alta comissária afirmou que existe um misto letal de recriminação, incitação ao ódio, e assassinatos por revance que tem persistido nos últimos quatro meses e meio. Ela diz que nem a liderança sudanesa, nem a comunidade internacional como um todo percebem o perigo da situação atual.

Ataques Gratuitos

Durante a visita, Navi Pillay sobrevoou Nassir, para se reunir com o líder da oposição Riek Machar. Ela visitou ainda a base da ONU em Bor, onde ocorreu o ataque de 17 de abril.

Segundo a alta comissária da ONU a matança em Bentiui e em Bor são simplesmente os mais novos incidentes numa lista longa de ataques gratuitos, em várias partes do Sudão do Sul.

Pillay ressaltou também o fato de cidades como Bentiu e Malakal, situadas na região produtora de petróleo, perto da fronteira com o Sudão, terem mudado de controle pelo menos seis vezes desde meados de dezembro, quando os combates começaram.

A chefe de direitos humanos da ONU disse que esta horrorizada com o descaso sobre o risco de fome da população sul-sudanesa, que ela diz ter observado em ambos os líderes políticos quando ela mencionou o assunto.

Segundo Pillay, a possibilidade de a fome se espalhar entre centenas de milhares de pessoas parece não preocupar os dois, mesmo que o problema tenha sido causado pela falha deles em resolver suas diferenças políticas de forma pacífica.

Após deixar o Sudão do Sul, Navi Pillay deverá se reunir com líderes da União Africana em Addis Abeba, na Etiópia para discutir o tema.

Ainda nesta terça-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ligou para o presidente sul-sudanês, Salva Kiir, pedindo o fim imediato da violência e da morte de civis no país. Ban disse que os autores dos ataques de meados de abril devem ser levados à justiça.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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