Navi Pillay alerta para "situação terrível" na Republica Centro-Africana

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Alta comissária dos Direitos Humanos afirmou que os massacres diminuíram com presença das tropas da União Africana e da França; representante disse que muitas pessoas continuam a ser assassinadas em determinadas regiões, principalmente pelos grupos anti-Balaka.

Refugiados na República Centro-Africana. Foto: Acnur/A. Greco

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, considerou a situação na República Centro-Africana de terrível.

A declaração foi feita esta quinta-feira em entrevista a jornalistas na capital Bangui, encerrando visita de três dias ao país.

Massacres

Pillay afirmou que apesar dos massacres terem aparentemente parado, muitas pessoas continuam a ser assassinadas diariamente em determinadas regiões, especialmente por integrantes do grupo anti-Balaka.

A alta comissária explicou que os massacres ocorridos em dezembro e janeiro cessaram, por enquanto, devido às ações das forças de paz da União Africana, Misca, e das tropas francesas, conhecidas como Sangaris.

A sua estimativa é que aproximadamente 15 mil muçulmanos estejam cercados em Bangui e em outras áreas do país. O grupo está protegido por forças internacionais mas numa "situação extremamente perigosa".

Pillay declarou que o ódio entre as comunidades continua num nível muito alto, o que serve de prova para a natureza extremamente cruel dos assassinatos.

Tortura

A alta comissária da ONU disse que a República Centro-Africana tornou-se um país onde além das mortes, as  pessoas são torturadas, mutiladas, queimadas e desmembradas.

A representante explicou que crianças são decapitadas e que, em alguns casos, foram detectados sinais de canibalismo.

Pillay citou organizações da sociedade civil e agências da ONU a dar conta do aumento de estupros e outros crimes sexuais, principalmente nos acampamentos para deslocados internos.

Dois distritos da capital, PK 5 e PK 12, que abrigam muçulmanos, continuam isolados.

Muçulmanos e Cristãos

A alta comissária disse que o grupo anti-Balaka está a transformar-se numa gang criminosa, que além de continuar a caçar muçulmanos começou a perseguir cristãos.

Pillay declarou que o país está a pagar o preço de 50 anos de "maus governos." Segundo ela, com um solo fértil e minerais preciosos, a nação deveria ser rica. Como exemplo, disse que apesar de vários rios e uma longa temporada de chuva, ainda tem que importar água potável dos países vizinhos.

A alta comissária da ONU disse haver uma oportunidade de ouro que não pode ser descartada. Para Pillay, o atual governo de transição deve agir imediatamente para garantir que as fundações do novo Estado sejam sólidas.

Além disso, deve assegurar que a velha ordem da corrupção estatal não retorne. O outro ponto importante citado pela representante da ONU é que o país não fique totalmente dependente da comunidade internacional, caso contrário não será possível atingir uma recuperação completa.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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