Nações Unidas pedem mais atenção para ataques contra crianças albinas

Ouvir /

Navi Pillay cita desafios enfrentados pelos menores na escola, como ofensas de colegas e dificuldades de visão; evento na sede da ONU em Genebra discutiu a importância de garantir os direitos dos albinos.

Disciminação afeta a autoconfiança das crianças albinas. Foto: Unicef

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Um encontro paralelo à sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, discutiu casos de violência contra crianças albinas e a discriminação sofrida pelas pessoas com a condição.

A representante especial do Secretário-Geral sobre Violência contra Crianças foi uma das painelistas no debate de terça-feira. Marta Santos Pais falou sobre medidas prioritárias, como apoio ao papel da família dos albinos, acesso à educação para prevenção da violência e a garantia da recuperação e integração de todas as crianças vítimas de ataques.

Intimidação 

Já a alta comissária para os Direitos Humanos participou da reunião por videoconferência. Navi Pillay, que está na Nigéria, lamentou que muitas crianças albinas sofram intimidação dos colegas na escola.

Além disso, a desordem congénita pode afetar a visão, o que leva os menores albinos a ter dificuldades em enxergar durante as aulas. Com tal frustração, que também afeta a sua autoconfiança, muitos albinos largam a escola, ressaltou Pillay.

Estigma

A ativista nigeriana Ikponwosa Ero, filha de pais negros, é albina. Após o encontro em Genebra, ela contou à Rádio ONU que sempre teve o apoio da família, mas realçou que a sociedade realmente pode ser dura.

Ero explicou que muitas pessoas fazem graça dos albinos, que acabam por sofrer estigma, são chamados por nomes e que muitos não entendem nem se preocupam com sua condição.

A falta de recursos económicos e sociais também mereceu destaque no pronunciamento da alta comissária da ONU. Navi Pillay afirmou que muitos albinos não conseguem sequer comprar um protetor solar e que por isso, correm mais risco de ter cancro da pele.

Mortes

O escritório de direitos humanos da ONU recebeu relatos de 200 ataques contra albinos em 15 países no período entre 2000 e 2013. Mas Pillay afirma que o problema é bem maior, pelo facto de muitos casos não serem documentados.

A alta comissária lembra que em muitas culturas, as crianças albinas são vistas como uma fonte de infortúnio ou de feitiçaria, o que pode levar a várias mortes ou abandonado pelas famílias. 

Medidas Firmes

Pillay pediu o fim da impunidade para os que cometem crimes contra os albinos, tendo apelado aos países a adoção de medidas firmes contra a sua discriminação.

A alta comissária destacou que os albinos têm o direito de viver sem medo, sem discriminação, exclusão social ou risco de assassinato.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

Compartilhe

JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031