Mais da metade dos moçambicanos ainda não têm fontes melhoradas de água

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Dados de agências da ONU indicam que a situação é mais grave com relação ao saneamento; mais de 75% da população moçambicana não têm saneamento melhorado, e quatro em cada 10 defecam a ceu aberto.

Para representante da Unesco, toda criança, rica ou pobre, tem o direito de sobreviver. Foto: ONU/Logan Abassi

Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo.

Sob o lema Água e Energia como factores determinantes do desenvolvimento de Moçambique, o país celebra neste 22 de março, o Dia Mundial da Água.

Um nota da WaterAid Moçambique divulgada indica que apesar de Moçambique estar entre as 48 nações mais pobres do mundo, só uma vez nos últimos seis anos conseguiu ser um dos principais beneficiários da ajuda para a água e saneamento.

Uso Eficaz

A diretora, Suzana Saranga, da Direção Nacional de Águas, aponta como um dos principais desafios, a construção de infraestruturas para o uso eficaz dos recursos hídricos.

"Temos nos nossos planos a construção de infraestruturas para melhor aproveitamento destes recursos hídricos. Estamos a falar das barragens, do sistema de drenagem, das grandes condutas onde nós trazemos a água até a torneira de cada uma das pessoas nas suas casas. Quando chove estas águas têm que ser conduzidas para o sítio próprio para que esta agua não seja prejudiciais às pessoas".

Necessidades

A WaterAid em Moçambique apela por um objetivo dedicado ao acesso universal à água e ao saneamento, como parte da criação de novas Metas de Desenvolvimento Sustentável pós-2015, de modo a que toda a gente em todo o lado tenha acesso a estas necessidades essenciais para a vida até 2030 no máximo.

Esta situação torna-se preocupante para Artur Matavele, gestor de Advocacia e aprendizagem da WaterAid em Moçambique.

"O objetivo declarado da ajuda internacional é ajudar as pessoas pobres do mundo a escapar à pobreza e a viver vidas saudáveis e produtivas – e a solucionar de modo positivo o nosso mundo fundamentalmente desigual. Com mais de 9.400 crianças com menos de cinco anos a morrer todos os anos em Moçambique devido à falta de acesso à água potável limpa, ao saneamento e à higiene, porque é que não há mais ajuda para a água e o saneamento a visar as pessoas que esperam desesperadamente esses serviços essenciais no nosso país?"

A Rádio Onu em Maputo ouviu alguns citadinos para saber como seria um dia sem água.

Higiene

"Nunca parei para pensar na vida por 24 horas sem água porque observando a sua importância é um elemento fundamental para a vida de um homem. Eu acho que seria muito pesado porque nós precisamos de água para tudo, para tomar banho, para cozinhar, para beber, e se não tivéssemos água, como passaríamos o dia? Seria um caos viver sem água, tendo em conta que é um elemento fundamental para a vida, seria quase impossível viver sem água, seria um suicídio"

Para Sanjay Wijesekera, chefe de programas de Água, Saneamento e Higiene do Unicef a nível global, toda criança, rica ou pobre, tem o direito de sobreviver. E tem direito à saúde, e a um futuro.

O mundo não deveria descansar até que cada homem, mulher e criança tivesse a água e saneamento que lhe correspondam por tratar-se de um direito humano.

O Unicef estima que 750 milhões de pessoas, na sua maioria pobres, ainda carecem deste recurso vital. E 1,4 mil crianças menores de cinco anos morrem diariamente de doenças diarreicas associadas à falta de água potável, saneamento e higiene adequada.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 18 DE DEZEMBRO DE 2017
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