Comissária defende fundo para vítimas de abuso sexual na RD Congo

Ouvir /

Proposta para a reparação dos afetados existe desde 2011; estimativas apontam para mais de 27 mil vítimas pelo tipo de violência nas áreas de conflito nos últimos 12 anos.

Navi Pillay. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Eleuterio Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos pediu o seguimento da proposta de um fundo para atender as necessidades de reparação de sobreviventes da violência sexual na República Democrática do Congo.

Falando esta terça-feira, em Genebra, Navi Pillay disse que a iniciativa, elaborada em 2011, deve ser completamente implementada.

Sobreviventes

Pillay citou ações de cinco projetos-piloto que abordam a violência sexual no país, com apoio do escritório. As iniciativas são levadas a cabo com sobreviventes das áreas de Bukavu e Shabunda, na província de Kivu do Sul.

Conforme explicou, os projetos implementados através de organizações locais apoiam os sobreviventes, além de informar e incentivar com vista à criação de programas de reparação mais abrangentes. Pillay mencionou também a reabilitação dos locais onde as vítimas recebem apoio psicológico e terapêutico.

Crimes Sexuais

A responsável disse que permanecem "os graves obstáculos" para responsabilizar aos autores de crimes sexuais cometidos por vários grupos armados no país dos Grandes Lagos.

Entre 2011 e 2013 mais de 27 mil pessoas foram vítimas de violência sexual em áreas de conflito do país, revela um estudo da Missão da ONU na RD Congo, Monusco, e do Ministério do Género congolês.

Intimidação

A iniciativa inclui casas seguras para alojar os sobreviventes sem lugares para viver, livres de intimidação ou abusos, ou que precisem de informações sobre advogados ou testemunhas em tribunal.

Navi Pillay sublinhou que a violência sexual é usada como arma de guerra para intimidar as comunidades locais e punir civis por alegada colaboração com as forças rivais.

A representante falou de vítimas da violência sexual relutantes em avançar com queixas por temer a estigmatização ou a falta de apoio legal.

Por outro lado, disse que o sistema legal do país apresenta inúmeros desafios incluindo a corrupção, a falta de juízes bem treinados e de recursos logísticos e financeiros para investigar crimes de natureza sexual.

Compartilhe

JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031