Perito do Acnur fala de "limpeza étnico-religiosa" entre centro-africanos

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Após trabalhar dois meses no país, especialista em proteção civil pede atenção para norte e oeste; funcionário defende possibilidade de mediação e reconciliação entre as comunidades.

Civis continuam a fugir do país. Foto: Acnur/H.Reichenberger

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Um especialista em proteção civil do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, comparou a violência na República Centro-Africana à que afetou os muçulmanos em Srebrenica, na Bósnia Herzegovina, em 1995.

Philippe Leclerc disse que os civis enfrentam violência extrema levada a cabo por grupos rebeldes, no que chamou de "limpeza étnica com a impunidade." As regiões apontadas são do norte e de áreas do oeste.

Presença Internacional

Falando, esta sexta-feira, em Genebra, Leclerc disse que o principal alvo do que considera limpeza étnico-religiosa são muçulmanos. Ele considerou estar claro que as pessoas isoladas tentam salvar as suas vidas. Conforme acrescentou, o tipo de situação pode ser evitada através da mediação e da presença de forças internacionais, ao realçar as dificuldades das vítimas em encontrar uma passagem segura.

De acordo com o especialista, o Estado tenta voltar a exercer cada vez mais o seu poder, o que ocorre com muita dificuldade por haver muitas limitações tanto das forças policiais como da disponibilidade de juízes. 

Anti-Balaka

A agência diz que milhares de civis muçulmanos continuam a fugir do país para escapar da violência desencadeada pelo grupo anti- Balaka, composto principalmente por cristãos.

O perito considera muito reduzido o número de tropas de paz internacionais e da União Africana no país enviadas para dar proteção adequada à população civil. A entidade continental implantou 6 mil capacetes azuis, enquanto o governo francês enviou 1,6 mil tropas.

Reconciliação

Cerca de 700 mil pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas devido à violência que intensificou em dezembro. Os confrontos opõem as milícias anti-Balaka e antigos combatentes Séléka, compostos por muçulmanos.

Após ter trabalhado no país durante os últimos dois meses, Leclerc frisou que a mediação e a reconciliação entre as várias comunidades ainda são possíveis. O requisito é o apoio da comunidade internacional ao novo governo para restaurar o Estado de direito.

*Apresentação: Denise Costa.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 23 DE JANEIRO DE 2018
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