Nações Unidas usam o poder do rádio para consolidar a paz

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Do Haiti à RC Congo, as missões da ONU mantêm estações de rádio que informam sobre política, economia e até esportes; conheça mais nesta reportagem especial que celebra o Dia Mundial do Rádio.

Jovens participam em evento na Rádio Miraya. Foto: Unmiss/Gideon

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

A Rádio ONU comemora esta quinta-feira seu aniversário de 68 anos, mas a ligação das Nações Unidas com o rádio vai muito além da sede da organização, em Nova York.

Vários países com presença das Missões de Paz contam com o apoio de estações de rádio que informam a população sobre o trabalho da ONU no terreno e muitos outros assuntos.

Sudão do Sul

No Caribe, a Missão de Estabilização da ONU no Haiti mantém a rádio Minustah FM.

Na África, o país mais novo do mundo, o Sudão do Sul, ganhou uma estação de rádio 24 horas, a Miraya, operada pela Missão da ONU no país, a Unmiss.

Também no continente africano, a ONU mantém há 12 anos no ar a Rádio Okapi, um veículo crucial para a informação na República Democrática do Congo.

Audiência

Criada pela Missão das Nações Unidas no país, a Monusco, em parceria com uma ONG, a Rádio Okapi tem antenas em todo o país e uma equipe de 200 jornalistas. O chefe da emissora, Carlos Araújo, destaca o papel da Rádio Okapi para os congoleses.

"É uma rádio que foi feita a pensar na consolidação da paz, mas fez mais do que isso, criou uma identidade congolesa. É uma rádio que interpreta, no sentido mais lato possível o mandato das Nações Unidas aqui e acaba por tocar em todos os domínios da realidade congolesa. Fala de política, fala de questões sociais, econômicas, tem programas culturais, fala de esportes. E isso para as Nações Unidas é importante, porque acabamos por apanhar uma audiência de 20 milhões de pessoas. E a mensagem da ONU, que é uma mensagem de paz, chega a todos esses ouvintes."

Timor-Leste

Já na Ásia, as Nações Unidas mantiveram até dezembro de 2012 a Rádio Unmit, da Missão Integrada no Timor-Leste. Quando as tropas de paz saíram do país de língua portuguesa, o ciclo da Rádio Unmit também se encerrou. Mas a ex-produtora da emissora, Joyce de Pina, ressalta a importância das rádios da ONU para os países em conflito. 

"Se conseguirmos comunicar com a população local, por exemplo através da rádio, dizendo para seguir para o campo X onde há distribuição de leite, ou o campo A, onde estão distribuindo tendas, é uma maneira de organizar as pessoas, de as ajudar. E quando o país já não está nesta fase de carência imediata, de emergência, e passa por uma fase como a do Timor-Leste, que era de capacitação nacional, a rádio já serve para explicar às pessoas determinados conceitos, como a importância dos direitos humanos, a importância da paz."

Interação

Como em qualquer grande emissora de rádio, a participação dos ouvintes é essencial nas rádios mantidas pelas missões de paz. Carlos Araújo conta sobre um dos programas de maior audiência da Rádio Okapi.

Jornalista da Rádio Okapi. Foto: ONU

"Temos um programa muito popular de diálogo entre congoleses, em que há três especialistas que fazem um debate com a participação de pessoas ao telefone sobre o tema mais quente do dia. Estamos falando de um país africano onde o rádio é rei, apesar de todos os avanços tecnológicos que há no domínio da internet, da televisão, mas o rádio continua a ser o principal meio de comunicação."

No Timor-Leste não era diferente: Joyce de Pina relembra uma parceria com o Ministério da Saúde do país, que levou à criação de uma peça de teatro diferente, apresentada nas ondas do rádio.

Criatividade

"Queríamos explicar como se transmitia o vírus da Sida (Aids). Lembro-me de ter contratado atores e resultava um pouco desta maneira: 'Alô? Sim, sou o João. Olá, João, entra! O que se passa? Opa, vim agora da rua e estava ali um amigo nosso que disse que está infectado com a Sida. Ai, mas o que é isso?'. Era uma pequena peça de cinco minutos em que se explicava o que era a Aids, como a doença era transmitida, mas desta maneira, que é muito mais engajante do que ler um anúncio público."

Segundo Joyce de Pina, os programas da Rádio Unmit eram transmitidos pela Rádio Nacional do Timor-Leste e a meta era chegar à população mais carente do Timor, que tinha no rádio o único meio para receber informação.

Outros países que ainda contam com emissoras mantidas pelas missões de paz das Nações Unidas são a Côte d'Ivoire, com a rádio Onuci FM e a Libéria, com a Rádio Unmil.

 

 

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