Guterres fala de "limpeza étnico-religiosa" na República Centro-Africana

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Chefe do Acnur disse ter testemunhado uma catástrofe humanitária; pedido após visitar o país é que os Estados se unam para enviar tropas e polícias.

Crianças na República Centro-Africana. Foto: Ocha

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, disse esta quarta-feira que prossegue o que chamou de "limpeza étnico-religiosa" na República Centro-Africana.

O representante falava a jornalistas na capital, Bangui, no fim da visita que efetuou ao país, onde disse ter testemunhado uma catástrofe humanitária.

Contornos Sectários

As Nações Unidas estimam que milhares de pessoas tenham morrido durante as crises iniciadas há um ano, com ataques perpetrados pelos rebeldes do antigo grupo Séleka, de maioria muçulmana.

O conflito assumiu contornos cada vez mais sectários, com o envolvimento nos confrontos do grupo denominado anti-Balaka, com grande parte dos membros considerados cristãos.

Guterres chamou atenção para a fuga de dezenas de milhares de pessoas devido à insegurança. Como referiu, vários estão sitiados e não têm onde ir e a capital alberga outros milhares em bairros de lata em situação crítica.

Novo Governo

Para o alto comissário, mesmo com a nova presidente de transição e a formação de um novo Governo, ainda não se consegue proteger os centro-africanos de uma forma eficaz.

O responsável considera imperativo o restabelecimento da segurança, da lei e da ordem. À comunidade internacional, Guterres pediu união para um aumento significativo e imediato de tropas e polícias no terreno.

Nesta terça-feira, o secretário-geral adjunto para as Operações de Manutenção da Paz, Edmond Mulet, reuniu-se com a presidente de transição Catherine Samba Panza.

Operação de Paz

O objetivo da deslocação de Mulet é estudar a possibilidade de transformação da Missão da União Africana de Apoio ao país, Misca, numa operação de paz da Nações Unidas.

Ao anunciar a intenção de reconfiguração da Misca, nesta terça-feira, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que apesar de cada vez mais necessária tal mudança levaria tempo a ser implementada.

Alimentos

Entretanto, o Programa Mundial de Alimentação, PMA, disse ter iniciado o transporte aéreo de alimentos para a República Centro-Africana.

A alternativa foi escolhida devido ao agravamento da crise de fome e as estradas consideradas bastante inseguras para o transporte de comida para 1,25 milhão afetados pela violência.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 19 DE JANEIRO DE 2018
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