Brasil é um dos países mais perigosos para jornalistas, diz Comitê

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Novo relatório do Comitê para Proteção de Jornalistas é lançado na sede da ONU; impunidade nos casos de assassinatos dos profissionais ganha destaque; 70 jornalistas foram mortos no mundo em 2013.

Relatório “Ataques à Imprensa” Foto: ONU/Mark Garten

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Comitê para Proteção de Jornalistas, CPJ, lançou esta quarta-feira, na sede da ONU, em Nova York, o relatório "Ataques à Imprensa", com os casos ocorridos no ano passado.

O Comitê é uma organização independente, que promove a liberdade de imprensa no mundo. O lançamento do documento recebeu o apoio da Unesco, a agência da ONU com mandato para defender a liberdade de imprensa e de expressão.

Brasil

O relatório destaca o aumento dos assassinatos de jornalistas no Brasil e a falta de punição para os autores dos crimes. O coordenador para as Américas do CPJ, Carlos Lauría, falou à Rádio ONU que o país é um dos mais perigosos para o exercício da profissão.

"O número de jornalistas mortos cresceu nos últimos anos e a resposta oficial do governo tem sido insuficiente. O Brasil se converteu em um país perigoso para o exercício do jornalismo. Os jornalistas, especialmente no interior do país, têm problemas quando investigam casos de corrupção. E nos casos de censura, o Brasil também (tem) este problema."

Segundo Carlos Lauría, 11 jornalistas brasileiros foram assassinados nos últimos três anos, quatro somente em 2013. Ele lembra ainda o caso recente de Santiago Andrade, o cinegrafista da TV Bandeirantes que morreu após ser atingido por um rojão enquanto trabalhava, no Rio de Janeiro.

Síria

O Comitê para Proteção de Jornalistas afirma que a Síria é o país mais perigoso para profissionais da mídia, onde houve 29 mortes em 2013. Na sequência, vem Egito e Iraque.

No total, 70 jornalistas foram mortos pelo seu trabalho no ano passado, a maioria em fogo cruzado ou durante a cobertura de combates. O Comitê ainda investiga outros 25 casos, para saber se os assassinatos estão relacionados à profissão das vítimas.

Outras tendências observadas pelo Comitê em 2013 são novas leis para reprimir a liberdade de imprensa no Equador, Libéria, Rússia e Vietnã; demissões solicitadas pelo governo da Turquia; aumento do sequestro de jornalistas na Síria e repressão ao jornalismo online na Rússia e Bangladesh.

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