Pillay alarmada com aumento dos desaparecimentos na Síria

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Para alta comissária da ONU, país tornou-se "vítima da indiferença à vida humana"; representante para os direitos humanos cita sequestros realizados por forças do governo e grupos da oposição.

Navi Pillay Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos está fazendo um alerta sobre sequestros e desaparecimentos forçados na Síria.

Segundo Navi Pillay, o país "continua sendo vítima de uma indiferença insensível à vida humana e desrespeito pela segurança". Segundo ela, nos últimos meses houve aumento "alarmante" dos sequestros de defensores dos direitos humanos, de ativistas, de jornalistas e de líderes religiosos.

Detenções

A alta comissária cita como responsáveis tanto os grupos armados da oposição como as forças do governo sírio, que também estariam  realizando detenções arbitrárias.

Pillay explica que na segunda-feira, cinco homens armados usando máscaras invadiram o escritório conjunto de duas ONGs no distrito de Douma, área controlada pela oposição.

Segundo a alta comissária, quatro pessoas foram sequestradas, incluindo Razan Zaitouneh, uma premiada defensora de direitos humanos da Síria. Pillay destaca que esses profissionais correm grandes riscos todos os dias no país. 

Violação

A representante da ONU apela a todos os lados em conflito na Síria a parar de "aterrorizar os civis por meio de sequestros, desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias".

Pillay cita que essas ações são uma "clara violação da lei internacional de direitos humanos" e pede que todos os sequestrados sejam soltos imediatamente.

A alta comissária também nota o sequestro, que já dura três meses, de dois jornalistas espanhois, e de vários outros profissionais da imprensa, desaparecidos ao longo de quase três anos de conflito.

Terror

Pillay está preocupada ainda com o possível sequestro de 12 freiras e com um "número incontável de civis", incluindo mulheres e crianças, que foram presos arbitrariamente pelo governo em 2011.

A alta comissária diz que governo e grupos armados têm a obrigação de garantir a proteção de todos os civis, incluindo defensores dos direitos humanos, e evitar que sejam vítimas de qualquer intimidação ou violência.

A Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria está documentando o aumento dos desaparecimentos, como estratégia do governo e de grupos pró-governo para "espalhar o terror na sociedade", afirmou Navi Pillay.

Ela lembra que em muitos casos, as famílias das vítimas não têm notícias sobre os desaparecidos, nem se estão vivos ou mortos.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 19 DE SETEMBRO DE 2014
JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 19 DE SETEMBRO DE 2014
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