ONU faz um minuto de silêncio em tributo a Nelson Mandela

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Presidente da Assembleia Geral parou os trabalhos no início da sessão desta sexta-feira; agências das Nações Unidas também reconheceram o legado do ex-presidente da África do Sul.

Minuto de silêncio por Nelson Mandela, na Assembleia Geral. Foto: ONU/Amanda Voisard

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

A ONU homenageou esta sexta-feira o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, com um minuto de silêncio na abertura da sessão na Assembleia Geral.

Pouco antes, a bandeira da ONU foi baixada a meio mastro também em homenagem e respeito ao ex-presidente da África do Sul. O papel de Nelson Mandela como defensor dos direitos humanos e ativista de várias causas foi enaltecido por várias agências da ONU.

Enquanto isso, na África do Sul prosseguem os preparativos para o funeral de Estado do primeiro presidente negro do país. O chefe de Estado sul-africano, Jacob Zuma, anunciou que a cerimônia pública vai aconter em 15 de dezembro.

Esperança

O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, lançou um vídeo em homenagem Mandela. A campanha "Escolas para África" para matricular 2 milhões de crianças africanas foi uma parceria entre a agência da ONU, a fundação de Mandela e a Sociedade Hamburgo.

Em entrevista à Rádio ONU, em Nova Iorque, o diretor de Programas do Unicef, Nichlas Alipui, destacou a contribuição do mentor da iniciativa.

"Viveu para presenciar pessoalmente a transformação que conseguiu introduzir pelo mundo, uma transformação que se pode caracterizar na sua forma única de reflectir a nossa humanidade comum. O que nos une são os valores e as esperanças que cada um tem pela sua própria vida, pelos seus filhos e pela sua comunidade."

Fiel aos Princípios

Em nota, a alta comissária dos Direitos Humanos, Navi Pillay, recordou o trecho do então réu durante o julgamento de Rivónia em 1964, que ditou a sua prisão. Ela disse que Mandela manteve-se fiel às suas declarações quando falou da luta contra a dominação branca e negra.

Mandela falou do seu "ideal de uma sociedade livre e democrática, onde todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com igualdade de oportunidades, para o qual esperava viver e vê-lo realizado" e se fosse necessário, era "um ideal pelo qual estava preparado para morrer."

Vingança

A alta comissária disse que apesar dos seus 27 anos atrás das grades, o ícone da luta anti-apartheid nunca seguiu o caminho da vingança.

Pillay, que é sul-africana, disse que se lembra "dos sentimentos em ebulição no país" quando Mandela foi libertado, como ódio, sede de vingança e desejo de discriminar por parte dos que foram discriminados.

Liberdade

Pillay disse que era difícil não partilhar tais sentimentos, depois de longos anos sob o apartheid. Mas ela disse que Nelson Mandela se recusou a seguir por esse caminho, tal como já o tinha feito num acordo pela sua liberdade em troca dos princípios do movimento de libertação.

O alto comissário para Refugiados, Antônio Guterres, disse que Mandela e a sua fundação tiveram um papel fundamental para evitar a xenofobia e o racismo na África do Sul. Mandela trabalhou em parceria com a agência na assistência e na proteção de refugiados.

HIV

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, destaca o papel do líder anti-apartheid para eliminar a discriminação contra as pessoas que vivem com HIV.

Para Margareth Chan, o compromisso de Mandela para superar o preconceito e o ódio inspirou sua determinação para quebrar as barreiras entre as diferentes raças.

* Apresentação: Edgard Júnior

 

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 26 DE DEZEMBRO DE 2014
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