OMS afirma que malária matou 627 mil pessoas no mundo em 2012

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Calcula-se que tenham sido registrados 207 milhões de novos casos, a maioria na África; agência da ONU disse que a luta contra a doença avançou mundialmente mas 3,4 bilhões de pessoas ainda vivem em áreas de risco.

Família protege-se através do uso de redes. Foto: Banco Mundial/Arne Hoel

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Relatório Mundial sobre a Malária 2013 revela que o combate à doença está registrando grandes progressos. O documento foi preparado pela Organização Mundial da Saúde, OMS.

Segundo o levantamento, divulgado nesta quarta-feira em Washington, desde o ano 2000, os esforços globais para controlar e eliminar a malária salvaram 3,3 milhões de vidas, a maioria delas em países da África.

Combate

O médico especialista em doenças tropicais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Jorge Seixas, falou à Rádio ONU, de Lisboa, o que os países podem fazer para combater o problema.

"A África e esses países africanos podem olhar para os próprios países africanos que já conseguiram evoluir mais no controle da malária. E podem principalmente olhar para países como o Brasil e países do sudeste asiático, que também desenvolveram esforços anteriores e nos quais se observou um maior controle da transmissão. (Isso ocorreu) através do uso de redes mosquiteiras impregnadas (com inseticidas), através de inseticidas de ação residual dentro das casas, através de disponibilização de bons testes de diagnósticos e de bons tratamentos baseados em medicamentos eficazes."

Brasil

O relatório diz que o Brasil é um dos países que deve conseguir reduzir em 75% os casos de malária até 2015.

O país é responsável por 52% dos casos da doença e 59% das mortes registrados nas Américas.

Entre as nações lusófonas, Timor-Leste apresenta o melhor resultado. A expectativa da OMS é que o país reduza em mais de 75% os casos de malária até 2015.

Cabo Verde e São Tomé e Príncipe devem ficar na faixa de até 75% de redução. Mas o relatório diz que não tem dados suficientes para fazer uma previsão no caso de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

Progresso

A OMS diz ainda que os esforços globais reduziram o índice de mortalidade da doença em 45% no mundo inteiro e quase pela metade somente na África.

A diretora-geral da agência da ONU, Margaret Chan, afirmou que "o progresso obtido até agora não é motivo para complacência". Ela explicou que os números absolutos de infecções e mortes causadas pela malária não estão caindo tão rápido como deveriam.

Para Chan, esses dados representam uma das maiores tragédias do século 21.

Perigo

Apesar dos avanços, a malária continua sendo muito perigosa. Segundo cálculos do relatório, 627 mil pessoas morreram da doença no ano passado, a maioria menores de cinco anos, e foram registrados 207 milhões de casos.

A OMS afirma que 3,4 bilhões de pessoas continuam vivendo em áreas de risco de contrair a doença, principalmente na África e no sudeste da Ásia. As autoridades disseram que 80% dos casos de malária aconteceram no continente africano.

Outros fatores importantes no combate à doença foram o compromisso político e o aumento das verbas que ajudaram a reduzir a incidência global da malária.

Mosquito

O relatório alerta que ainda há muito a ser feito na luta contra o mosquito transmissor da doença. Segundo a OMS, houve uma redução na entrega de redes de proteção.

Na África Subsaariana, o acesso da população a essas redes ficou abaixo dos 50%. Apenas 70 milhões de redes foram enviadas para os países considerados endêmicos. A OMS diz que são necessárias pelo menos, 150 milhões de redes por ano para garantir a proteção das pessoas em risco.

O relatório cita um avanço, desde o início do ano já foram enviadas 136 milhões de redes de proteção de mosquitos e esse número deve aumentar para 200 milhões em 2014.

Em relação aos diagnósticos da doença, a OMS explica que houve um aumento global de 44% para 64% nos testes realizados. O mesmo aconteceu no caso do acesso a medicamentos, que passou de 76 milhões em 2006 para 331 milhões no ano passado.

Verba

O fundo global para o controle da malária também teve uma alta, passou de US$ 100 milhões em 2000 para quase US$ 2 bilhões, mais de R$ 4 bilhões, em 2012. Além disso, a verba doméstica dos países chegou meio bilhão de dólares.

A OMS explica que apesar do aumento, o total não chega nem a metade do dinheiro necessário para financiar toda a operação anualmente.

A Organização Mundial da Saúde está desenvolvendo uma estratégia global para o controle e a erradicação da malária para o período entre 2016-2025.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 19 DE SETEMBRO DE 2014
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