Ban alerta sobre situação na Síria e na República Centro-Africana

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Secretário-Geral afirma que povo sírio não pode suportar mais brutalidade e destruição; ele mencionou o perigo de atrocidades em massa no país centro-africano.

Ban Ki-moon

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que 2013 foi o ano em que o conflito na Síria piorou para um nível além da imaginação.

Falando a jornalistas na sede das Nações Unidas, Ban disse que o povo sírio não pode lidar com mais um ano, mais um mês ou até mesmo mais um dia de brutalidade e destruição.

Conclusões

Ele disse que informou o Conselho de Segurança sobre as conclusões do relatório da Missão de Investigação da ONU-Opaq, chefiada por Ake Sellström.

Segundo Ban, todos deveriam ficar profundamente preocupados com os resultados mostrando que armas químicas foram usadas não somente na cidade de Ghouta, em agosto, mas também em várias outras cidades, inclusive contra civis.

O chefe da ONU afirmou que vai enviar, em breve, os convites para a Conferência Internacional sobre a Síria, a chamada Genebra 2, marcada para 22 de janeiro.

Ban disse que todos os envolvidos nas negociações devem fazer o máximo para o sucesso da reunião. Ele voltou a pedir às autoridades sírias que acabem com a violência e forneçam acesso para a entrada de ajuda humanitária.

Crise Humanitária

Ele lembrou que a situação humanitária no país continua piorando e alertou para a falta de fundos para financiar as operações.

Segundo o Secretário-Geral, o apelo feito esta segunda-feira para a Síria é o maior na história da ONU. São US$ 6,5 bilhões, quase R$ 15 bilhões, para atender às necessidades das pessoas dentro do país e para ajudar os mais de 2 milhões que fugiram para nações vizinhas.

Ban falou também sobre a crise na República Centro-Africana. Ele alertou para o perigo iminente de atrocidade em massa no país e pediu ao governo de transição que proteja a população.

O chefe da ONU fez um apelo aos líderes religiosos e comunitários que evitem polarizar os debates. Ban agradeceu ainda o envio de tropas francesas e africanas, que já estão fazendo a diferença na região.

Justiça

Segundo ele, a ONU vai criar uma comissão de inquérito para investigar as denúncias de atrocidades e afirmou que os responsáveis serão levados à justiça.

Ban disse que toda a população do país, 4,6 milhões de pessoas sendo metade crianças, foi afetada pela violência. Ele explicou que 600 mil pessoas estão deslocadas e quase 70 mil fugiram do país.

O Secretário-Geral citou ainda alguns avanços conquistados em 2013, entre eles estão o acordo para a destruição das armas químicas da Síria, a adoção do Tratado sobre o Comércio de Armas e o acordo para finalizar a agenda de desenvolvimento pós-2015. 

Clima

Ban falou ainda sobre a Conferência sobre o Clima, em Varsóvia, que manteve as negociações em andamento para o acordo que será fechado em 2015.

Ele disse que por toda a região do Sahel e do oeste da África, as operações de manutenção da paz e de mediação estão promovendo estabilidade.

Ban elogiou também a participação da população do Mali nas eleições legislativas e disse que o ataque realizado na cidade de Kidal não irá deter os trabalhos.

Para o chefe da ONU, 2013 foi um ano importante na parceria Nações Unidas-Banco Mundial.

Monusco

Ban falou também do sucesso das operações das tropas da ONU na República Democrática do Congo, Monusco, comandadas pelo general brasileiro, Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Ele mencionou o acordo firmado na semana semana passada em Kampala, onde o governo e o grupo armado M23 decidiram pôr um fim às hostilidades entre os dois lados.

Outro avanço foi o acordo alcançado entre os membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha, sobre o programa nuclear iraniano.

Falando sobre 2014, Ban afirmou que este deve ser o ano de proteção ao povo, sua segurança, seus direitos fundamentais e bem-estar.

Preocupações 

Na lista das preocupações, ele citou as difíceis transições no mundo árabe, no Afeganistão e pediu que israelenses e palestinos mostrem liderança e visão que possam levar a um acordo de paz.

Ban se mostrou preocupado também com a situação na Ucrânia, na Tailândia e na Coreia do Norte. Ele pediu ao governo norte coreano que trabalhe para a desnuclearização da Península Coreana e obedeça às normas globais em relação aos direitos humanos.

O Secretário-Geral encerrou o pronunciamento dizendo que 2013 será lembrado como o ano em que o mundo deu adeus a Nelson Mandela.

Ele afirmou que gostaria de ver em 2014 os líderes mundiais seguirem os exemplos morais e de responsabilidades políticas deixados pelo ex-presidente sul-africano.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 22 DE ABRIL DE 2014
JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 22 DE ABRIL DE 2014
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