Fome cai no mundo, mas ainda afeta 842 milhões de pessoas

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Relatório da ONU mostra que apesar da redução, uma em cada oito pessoas no mundo não tem o que comer; maioria absoluta dos famintos vive em regiões em desenvolvimento.

Combate à fome global. Foto: FAO/Ivan Grifi

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Relatório da ONU sobre o "Estado da Insegurança Alimentar" mostrou que 842 milhões de pessoas sofrem com fome crônica no mundo. O dado corresponde ao biênio 2011-2013.

O documento afirma que o número de pessoas com fome nos países em desenvolvimento caiu 17% em mais de duas décadas, entre 1990 e 2013.

Países Desenvolvidos

O relatório foi preparado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Ifad e pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA.

As agências da ONU disseram que a maioria das pessoas com fome vive em países em desenvolvimento, mas 15,7 milhões vivem em nações desenvolvidas.

Atenção 

Esse fato tem chamado a atenção dos especialistas, como explica à Rádio ONU, de Santiago, no Chile, o representante de políticas da FAO, Adoniram Sanches.

"Tradicionalmente, a metodologia não tratava de países desenvolvidos. Ela começou a ser tratada nesses dois últimos relatórios pelo tema do desemprego. Em muitos países, o consumo, o acesso que as pessoas têm ao alimento é via salário. Então como não tem salário, não tem uma estabilidade de renda, começa a aparecer problemas no núcleo da família de pobreza. Em Portugal já está aparecendo ao redor de 7%."

Sanches disse ainda que esse é um problema que está ganhando dimensão e não atinge apenas os países em desenvolvimento. Agora, segundo ele, as nações desenvolvidas também têm enfrentado dificuldades para alimentar sua população.

Meta

A FAO afirma que a meta de se reduzir à metade o número de pessoas com fome no mundo em 2015, não poderá ser cumprida, apesar de 22 países, incluindo o Brasil, terem atingido o objetivo no ano passado.

Segundo o relatório, o constante crescimento econômico nos países em desenvolvimento melhorou os salários e o acesso à comida. Além disso, o aumento da produção agrícola melhorou também a disponibilidade de alimentos.

As maiores reduções aconteceram na América Latina e no sudeste e leste da Ásia.

A ONU diz ainda que apesar do progresso mundial, a região da África Subsaariana registrou um avanço muito pequeno. A região abriga 24,8% das pessoas que passam fome, o índice mais alto do mundo.

Não foram observados progressos na Ásia ocidental. Já as regiões da Ásia meridional e do norte da África, o progresso têm sido lento.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 22 DE SETEMBRO DE 2014
JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 22 DE SETEMBRO DE 2014
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