Dilma pede à ONU criação de marco internacional para regular internet

Ouvir /

Em discurso na Assembleia Geral, presidente do Brasil diz que país foi alvo de "intrusão" de rede de espionagem; para Dilma Rousseff, episódio foi um "caso grave da violação dos direitos humanos".

Dilma Russeff e Bam Ki-moon na 68ª. Assembleia Geral. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Ao abrir os discursos da 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a presidente do Brasil defendeu a criação de um marco civil internacional para a regulamentação da internet.

Dilma Rousseff começou seu discurso lamentando que "recentes revelações de uma rede de espionagem eletrônica" provocaram indignação da opinião pública mundial.

"Intrusão"

"No Brasil, a situação foi ainda mais grave, pois aparecemos como alvo dessa intrusão. Dados pessoais de cidadãos foram, indiscriminadamente, objeto de interceptação. Informações empresariais, muitas vezes de alto valor econômico e até mesmo estratégico, estiveram na mira da espionagem."

Para a presidente brasileira, não se "sustentam argumentos de que a interceptação ilegal de dados e informações" tem o objetivo de proteger as nações contra o terrorismo.

Direitos Humanos

Ela classificou o episódio como um caso grave de "violação dos direitos humanos e das liberdades civis".

Dilma Rousseff destacou que o Brasil "repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas". A presidente pediu que as Nações Unidas criem um mecanismo internacional para regular a internet.

Protesto

"Fizemos saber ao governo americano o nosso protesto, exigindo explicações, desculpas e garantias de que tais procedimentos não se repetirão. A ONU deve desempenhar um papel de liderança, no esforço de regular o comportamento dos Estados frente a essas tecnologias. O Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet e de medidas que garantam uma efetiva proteção dos dados que por ela trafegam."

Durante sua fala na Assembleia Geral, Dilma Rousseff lembrou que lutou contra a censura e por isso, defende a privacidade e a soberania do Brasil.

A presidente, que foi a primeira chefe de Estado a discursar na sessão desta terça-feira, também falou sobre os modelos de inclusão social adotados pelo país e sobre a crise econômica mundial.

Síria

Dilma lembrou que a economia global continua "frágil", com alto nível de desemprego e destacou que os países emergentes não podem garantir, sozinhos, a retomada do crescimento.

A reforma do Conselho de Segurança e a situação na Síria também foram assuntos abordados pela presidente.

"A crise na Síria comove e provoca indignação. Dois anos e meio de perdas de vida e destruição causaram o maior desastre humanitário deste século. É preciso calar a voz das armas, convencionais ou químicas, do governo ou dos rebeldes. Não há saída militar. A única solução é a negociação, o diálogo, o entendimento."

Encontro

Ainda sobre o Oriente Médio, Dilma Rousseff afirmou que é "chegada a hora de se atender às legítimas aspirações palestinas por um Estado independente e soberano."

Antes de discursar na Assembleia Geral, a presidente do Brasil encontrou-se com o Secretário-Geral Ban Ki-moon.

O chefe da ONU agradeceu as contribuições do país para a agenda do desenvolvimento sustentável, firmada na Rio+20 e pelo apoio das tropas brasileiras que fazem parte da Missão da ONU no Haiti, Minustah.

Assista aqui aos discursos em tempo real.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 24 DE NOVEMBRO DE 2014
JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 24 DE NOVEMBRO DE 2014
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

novembro 2014
S T Q Q S S D
« out    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930