Pillay preocupada com "direção autoritária" sendo tomada no Sri Lanka

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Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos terminou neste sábado a visita ao país asiático; ela cita casos de abusos contra mulheres, violência contra minorias religiosas e perseguições contra ativistas.

Navi Pillay conversa com jornalistas no Sri Lanka

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos terminou neste sábado uma visita oficial de sete dias ao Sri Lanka. Em Colombo, maior cidade do país, ela conversou com jornalistas e fez um balanço da visita.

Navi Pillay disse estar "muito preocupada" com sinais do aumento de uma "direção autoritária" que estão sendo mostrados no Sri Lanka. Ela destacou que os civis que sofreram com a guerra precisam de justiça e reparos.

Tolerância Zero

Pillay lamentou que estão sendo negadas liberdades individuais e destacou séria preocupação com a vulnerabilidade de mulheres e meninas, que sofrem abusos sexuais.

A alta comissária disse que tratou do tema com vários ministros, governadores e militares e pediu uma "política de tolerância zero" a esse tipo de abuso.

Sobre investigações de mortes de civis e execuções sumárias, Navi Pillay sugeriu que apontar o exército para fazer essas investigações não "inspira confiança" num país como o Sri Lanka e defendeu um processo nacional credível.

Ataques Religiosos

A alta comissária contou ainda ter lembrado ao governo que o país "precisa urgente de uma forte lei de proteção a vítimas e testemunhas". Ela também destacou a preocupação com casos recentes de ódio e violência contra minorias religiosas, incluindo ataques a mesquitas e a falta de punição e ação contra os autores desses crimes.

Segundo Pillay, outro aspecto perturbador de sua visita foi a perseguição e intimidação contra defensores de direitos humanos, religiosos, jornalistas e civis que tiveram encontros com ela.

Progressos

Em relação a progressos alcançados pelo Sri Lanka, a alta comissária notou a reconstrução do país, desde o fim do conflito com os Tigres de Libertação do Tâmil Eelam, em 2009. O confronto entre governo e rebeldes durou três décadas.

Pillay disse ter ficado impressionada com o número de novas rodovias, pontes, casas, postos médicos e escolas construídos no leste e no norte do país.

 

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 19 DE DEZEMBRO DE 2014
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