Escalada da retórica religiosa pode exacerbar conflito sírio

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Alerta é do conselheiro especial das Nações Unidas sobre Prevenção do Genocídio; Adama Dieng teme aumento das atrocidades no país árabe.

Adama Dieng

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

O conselheiro especial das Nações Unidas sobre prevenção do genocídio está fazendo um alerta sobre o aumento do uso da retórica por líderes políticos e religiosos na crise da Síria.

Adama Dieng acredita que o fator pode exacerbar a violência no país do Oriente Médio e aumentar as tensões entre diferentes grupos da região.

Mais Violência

Nesta segunda-feira, o conselheiro lembrou que "a História mostrou que a exploração de tensões religiosas em um conflito político e armado pode incitar à violência e levar a atrocidades de larga escala".

Dieng está preocupado com relatos recentes de que líderes religiosos teriam descrito a situação na síria como sendo um conflito religioso.

Para o especialista, este tipo de retórica poderia ampliar a "violência já desastrosa na Síria e levar a mais crimes de guerra e contra a humanidade".

Fatalidades

Segundo levantamento da ONU, desde março de 2011, mais de 93 mil pessoas morreram e 1,7 milhão de civis deixaram o país e buscaram abrigo em nações vizinhas.

Já são mais de dois anos de confrontos entre o governo sírio e grupos da oposição que pedem a saída do presidente Bashar Al-Assad.

Dieng ressalta que todos os líderes têm a responsabilidade de se declarar contra qualquer discurso de ódio que estimule a intolerância e o estereótipo discriminatório, ou que constitua incitação à violência.

Linguagem

Ele pede a todas as lideranças na região que ajam com responsabilidade e não usem nenhuma linguagem que possa escalar tensões sectárias. O conselheiro da ONU lembra que sob a lei internacional, ataques contra civis não podem ser justificados sob nenhuma circunstância.

Adama Dieng apela a todos os países para que não contribuam com esses crimes, incluindo a tolerância ao discurso do ódio e a incitação à violência contra populações específicas.

Para o conselheiro, se não houve ação imediata, "existe um sério risco de que a violência sectária se espalhe pela região."

O escritório do conselheiro especial do Secretário-Geral sobre prevenção do genocídio foi criado em 2004, em reconhecimento à falha coletiva da comunidade internacional em prevenir ou pôr um fim a casos passados de genocídio.

 

 

 

 

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 31 DE JULHO DE 2014
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