Conflito na Síria custa até US$ 80 bilhões para a economia do país

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Segundo presidente da Comissão de Inquérito, estimativa representa um terço do PIB de antes da guerra; na Assembleia Geral, Paulo Sérgio Pinheiro diz que dois lados em conflito têm a "ilusão" de uma vitória militar.

Paulo Sérgio Pinheiro

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria destacou nesta segunda-feira que o custo estimado do conflito para a economia do país é de US$ 60 bilhões a US$ 80 bilhões de dólares.

Segundo Paulo Sérgio Pinheiro, o montante representa um terço do PIB de antes da guerra. Mais de 2,5 milhões de sírios estão desempregados.

Ao discursar na Assembleia Geral, em Nova York, Pinheiro disse que os civis saem dos centros de detenção com marcas psicológicas da tortura; doentes e feridos estão sem assistência após hospitais terem sido bombardeados e centenas de escolas foram destruídas.

Impasse

Falando em inglês, Paulo Sérgio Pinheiro destacou que "a guerra continua um impasse já que os dois lados em conflito agem sob a ilusão de que uma vitória militar é possível."

O chefe da Comissão de Inquérito ressaltou que o governo mantém controle da maioria das cidades e das linhas de comunicação e possui armamento pesado.

Civis

Por outro lado, ele citou que centenas de grupos armados antigoverno aumentaram suas operações no norte e no sul da Síria.

Pinheiro lamentou que os civis sejam as "verdadeiras vítimas de uma guerra prolongada" e que há mais de 800 dias, violações contra civis, cometidas por governo e oposição, continuem sem qualquer consideração à lei ou à consciência.

O presidente da Comissão de Inquérito falou ainda sobre o desaparecimento de milhares de pessoas, crimes de violência sexual, incluindo estupros e defendeu novamente não haver solução militar para a crise síria. Ele pediu aos países-membros que ajam pelo "fim da violência e da carnificina."

Solução

Segundo Pinheiro, o conflito não encontrará sua própria solução pacífica e seus caminhos não seguem para negociações. Por isso, ele indicou ser imperativo um retorno da negociação que conduza a uma solução política.

Já o embaixador da Síria na ONU, Bashar al-Jaafari, reconheceu que parte importante da infraestrutura do país foi destruída.

Al-Jaafari destacou danos aos setores da agricultura, indústria, comércio e ao patrimônio cultural da Síria. Ele disse que o governo continua disposto a colaborar com as investigações da Comissão de Inquérito.

Prestação de Contas

Já o representante da União Europeia, Thomas Mayr-Harting, disse que a Síria ainda não respondeu a repetidos apelos da comunidade internacional sobre prestação de contas em relação à situação no país.

Ele lembrou que o Conselho de Segurança pode enviar o caso da Síria ao Tribunal Penal Internacional, TPI, pedido feito por carta pela Suíça em janeiro.

Mais de 100 mil pessoas foram mortas na Síria desde o início dos confrontos entre governo e oposição, em março de 2011.

A Comissão de Inquérito tem o mandato de investigar todas as violações à lei internacional dos direitos humanos e alegações de crimes de guerra e contra a humanidade. O próximo relatório do grupo será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, no dia 16 de setembro.

 

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 21 DE JULHO DE 2014
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