Nota de Angelina Jolie para o Dia Mundial do Refugiado

Leia a íntegra da mensagem da enviada especial do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, divulgada neste 20 de junho. A atriz está no campo para refugiados em Zaatari, na Jordânia.

Angelina Jolie conversa com família em Zaatari. Foto: Acnur

"A crise síria aqui na Jordânia e por toda a região é a crise humanitária mais aguda que ocorre atualmente no mundo. 1,6 milhão de pessoas deixaram a Síria com nada, senão suas roupas, e muitas outras chegam (a países vizinhos) a todo minuto. Mais da metade são crianças.

Eles deixaram para trás um país onde milhões de pessoas estão deslocadas, sofrendo de fome, privação e medo; onde inúmeras mulheres e meninas enfrentam estupros e violência sexual; onde toda uma geração de crianças está fora da escola; e onde pelo menos 93 mil pessoas foram assassinadas: amigos, vizinhos, pais, mães e crianças das pessoas que estão neste campo de refugiados hoje.

Eu quero agradecer ao povo da Jordânia, do Líbano, do Iraque e da Turquia por abrigar os refugiados sírios em suas casas e comunidades. Sua generosidade salva vidas. Mas eles não podem fazer isso sozinhos. Apelos precisam ser alcançados e apoio precisa ser dado. A sobrecarga na economia desses países é o maior risco para a sua estabilidade.

Eu rezo para que todos os lados envolvidos no conflito sírio parem de atacar civis e permitam o acesso de ajuda humanitária.

E faço um apelo aos líderes mundiais – por favor, deixem de lado suas diferenças, unam-se pelo fim da violência e façam com que a diplomacia tenha êxito. O Conselho de Segurança deve agir de acordo com suas responsabilidades. A cada 14 segundos alguém cruza a fronteira da Síria e torna-se um refugiado. E até o fim do ano, metade da população síria – 10 milhões de pessoas – estará desesperada por comida, abrigo e assistência. A vida de milhões está em suas mãos. É preciso estar em comum acordo.

Neste Dia Mundial do Refugiado, eu gostaria de dizer uma palavra sobre as mais de 15 milhões de pessoas que vivem nessa condição no mundo todo.

Os refugiados são muitas vezes esquecidos e frequentemente incompreendidos. Eles são tidos como um fardo, indefesos ou como pessoas que querem mudar para outro país. Isso não é o que eles são.

Eu conheci refugiados ao redor do mundo. Eles são resilientes, muito trabalhadores e pessoas graciosas. Eles passaram por mais violência e enfrentaram mais medo do que nós jamais poderemos saber. Eles perderam suas casas, seus pertences e seus países. Em muitos casos, perderam suas famílias e amigos em mortes horríveis.

Ao se deparar com a guerra e a opressão, eles escolheram não pegar em armas, mas sim buscar um abrigo seguro para suas famílias. Eles merecem nosso respeito, nosso reconhecimento e apoio, não apenas hoje, mas por toda a duração de seu calvário.

Ao ajudar refugiados, aqui no campo de Zaatari, e ao redor do globo, nós investimos em pessoas que um dia irão reconstruir seus países e um mundo mais pacífico para todos nós. Então neste dia, eu os honro e sou privilegiada por estar com eles."

 

 

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 26 DE NOVEMBRO DE 2014
JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 26 DE NOVEMBRO DE 2014
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

novembro 2014
S T Q Q S S D
« out    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930