Ambiente global permite violência sexual em conflitos, diz Angelina Jolie

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Ao discursar no Conselho de Segurança da ONU, atriz falou de momentos que passou com vítimas em vários países ; Secretário-Geral chama atenção para o papel internacional com vista a deter o fenómeno.

Angelina Jolie discursa no Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/Rick Bajornas

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Secretário-Geral da ONU recordou que é tarefa de autoridades dos países e da comunidade internacional proteger as vítimas de crimes de violência sexual em conflitos.

Ban Ki-moon fez o pronunciamento, esta segunda-feira, no Conselho de Segurança no debate temático intitulado “A Questão da Impunidade: a Justiça Eficaz para Crimes de Violência Sexual em Conflitos.”

Testemunho

Ao evento participou a enviada especial do alto comissário da ONU para Refugiados, Angelina Jolie. A atriz contou o seu testemunho após visitar vítimas do tipo de violência na República Democrática do Congo e na Síria.

A estrela de Hollywood disse que "em muitas situações de conflito não há governos para assumirem as responsabilidades. Não há proteção nem prestação de contas. Ela acrescentou que quando não pode haver ação dos governos o Conselho de Segurança da ONU deve exercer liderança e dar  assistência porque os crimes ocorrem não porque são inerentes às guerras porque o clima global o permite."

Personalidade

Jolie lembrou que por detrás do número das vítimas está um nome, uma personalidade, uma história e sonhos.  

A atriz de Hollywood falou de "meninas violadas e engravidadas com corpos imaturos, rapazes obrigados a violar às mães e irmãs, mulheres com garrafas e facas introduzidas nos órgãos para causar o pior o dano possível além de bebés estuprados."

África 

Ban Ki-moon recordou a sua recente visita à cidade congolesa de Goma, como parte do seu périplo  africano. Num hospital da cidade congolesa, o chefe da ONU disse ter conhecido mulheres e meninas estupradas e mutiladas por grupos armados de todos os lados do conflito.

Conforme referiu, "várias doentes sofriam de fístula traumática, que segundo explicou, em termos simples, significa que  estas passaram pela experiência de ser internamente dilaceradas."

Para Ban, além da grande dor e da incapacidade  de controlar a bexiga e os intestinos, para as sociedades locais as vítimas são tidas como incapacitadas e muitas vezes desprezadas.

Reabilitação

O Secretário-Geral disse que os hospitais locais apoiam a reabilitação das mulheres, ajudam a curar as feridas e a proporcionar as suas habilidades que podem dar-lhes autoestima

Ban Ki-moon no Conselho de Segurança. Foto: ONU/Rick Bajornas

e fonte de renda.

Mas disse que o problema tem efeitos devastadores sobre sobreviventes além de destruir o tecido social de comunidades inteiras. O responsável lembrou que homens e meninos também são alvos a par das mulheres e meninas que sofrem desproporcionalmente com os crimes violentos.

Impunidade

O evento foi realizado com o objetivo de examinar o papel que pode ser desempenhado pela ONU no apoio aos Estados com vista ao fim da cultura da impunidade e aumentar da sua responsabilidade. A intenção é permitir que os sobreviventes tenham acesso aos sistemas de justiça, adequada e não discriminatória.

Ban lembrou que a violência sexual é um crime à luz do Direito Internacional Humanitário uma ameaça à paz e à segurança internacionais.

Reconciliação

Para o representante, ao ser usada como arma de guerra, a violência sexual pode exacerbar significativamente conflitos e prejudicar grandemente à reconciliação.

A ONU apelou às partes a comprometer-se na prevenção do tipo de violência e anunciou o envio de assessoras para a proteção das mulheres para várias missões da organização, nos próximos meses.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 28 DE JULHO DE 2014
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