Na ONU, Chissano pede mais educação sobre saúde sexual e reprodutiva

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Antigo chefe de Estado moçambicano participa na sessão da Comissão da ONU sobre População e Desenvolvimento que decorre até sexta-feira; para ex-presidente, mulher tem estado indefesa e excluída.

Joaquim Chissano

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O antigo presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, afirmou que os governos devem ser sensibilizados a investir mais recursos com vista a uma educação sexual e reprodutiva mais eficaz.

Em entrevista exclusiva à Rádio ONU, em Nova Iorque, o antigo estadista falou da necessidade de educar os jovens, destacando as implicações de práticas como o aborto ilegal e casamentos forçados.

Explicação Científica

"É preciso chamar atenção sobre essas consequências nefastas, que começam na própria família. Como não é um estudo sistemático e discussão aberta, porque tudo é tabu, então as pessoas nunca aprendem dos erros nem sabem o que aconteceu na outra família. Em certas sociedades, recorrem ao slogan de que fulana de tal morreu por causa de feitiço, e não conhecem a explicação científica. O que dizemos é que é preciso uma educação eficaz e que os recursos para isso sejam encontrados", explicou.

Chissano participa na 46a. sessão da Comissão da ONU sobre População e Desenvolvimento como copresidente da Força Tarefa para a Promoção da Saúde e dos  Direitos Sexuais e Reprodutivos. O evento termina na sexta-feira.

Relacionamentos

Como parte da Força, Joaquim Chissano disse ter constatado desafios urgentes para abordar a educação sexual e o género, com particular atenção para jovens de sexo feminino.

"Deve-se educar ambos os géneros e não só à mulher. A mulher é que está, neste momento, mais vulnerável. Porque segundo as formas arcaicas de relacionamento entre homem e mulher, esta tem estado sem defesas e excluída de muitas decisões, incluindo a que é preciso tomar em comum, para um relacionamento sexual e reprodutivo", ressaltou.

Personalidades

Nas Nações Unidas, os temas também foram colocados pela antiga presidente finlandesa, Tarja Halonen. Com Chissano, ela preside o grupo de advocacia de 25 membros que inclui personalidades e jovens ligados a vários setores.

A entidade monitoriza a implementação do programa de ação da Conferência da População realizada no Cairo, em 1994, e deve trabalhar em coordenação com parceiros que incluem o Fundo das Nações Unidas para a População.