Relatório da ONU diz que substâncias psicoativas ameçam saúde pública

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Segundo Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, Jife, problema pode ser visto em emergências de hospitais; somente na Europa, uma nova substância é descoberta a cada semana.

Foto: Unodc

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.*

As chamadas "drogas legais" ou "designer drugs" estão representando uma verdadeira ameaça à saúde pública. A constatação é de um relatório das Nações Unidas, divulgado nesta terça-feira, em Viena, na Áustria.

De acordo com o estudo da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, Jife, em 2012, o mundo está sofrendo com a proliferação de substâncias psicoativas, que tem levado a um aumento do número de ocorrências em emergências hospitalares e outros centros de tratamento.

Tranquilizantes

A Jife também ressalta o que chamou de abuso de medicamentos e farmacêuticos como tranquilizantes e estimulantes. Somente na Europa, uma nova substância é descoberta a cada semana. A compra é facilmente realizada pela internet, e o número de sites que vendem psicoativos mais que quadruplicou em dois anos na União Europeia.

De acordo com a Jife, os países precisam de uma ação coordenada para impedir a produção, uso, e tráfico dessas substâncias.

Em entrevista à Rádio ONU, da Costa Rica, o especialista da Agência Mundial Antidoping, Wada, no Brasil, Eduardo de Rose, falou sobre o envolvimento das policias federais e ministérios de Saúde no controle de vendas pela internet

"O risco é de saúde pública. Deve haver um controle pelo Estado da venda desse tipo de substância para a população. A venda pela internet é de área internacional, ilegal e deve estar controlada pelo Estado. Como pessoa física ou

Foto: Pnud/Brain Sokol

instituições de Direito não-governamental é muito difícil fazer o controle desse tipo de venda, que às vezes também entra numa área de drogas sociais proibidas", referiu.

De acordo com o relatório, em alguns países pesquisados, mais de 6% de alunos do segundo grau já tomaram tranquilizantes. Para a Jife é preciso agir preparando pessoal da área médica e informando a população sobre os perigos deste tipo de droga.

Riscos

E os riscos são variados como doenças como HIV, hepatite B e C no caso de uso de drogas injetáveis.

O chefe da Jife, Raymond Yans, disse que este é um problema global, e que deve ser combatido de forma partilhada pela comunidade internacional. Segundo ele, é hora de agir em todos os níveis incluindo o comunitário para reduzir o sofrimento de todos.

Ao abordar a situação das drogas por regiões, o estudo da Jife lembra que na América do Sul, o consumo de cocaína, por exemplo, se manteve estável com uma média de consumo por adultos de 0,7%. Já no Brasil, esta média é mais do que o dobro, atingindo 2%.

México, 60 mil mortos

O tráfico de drogas também está afetando a segurança regional com o aumento de violência relacionada às drogas.

No México, por exemplo, mais de 60 mil pessoas foram assassinadas desde 2006 por causa do tráfico de drogas.

A América do Norte continua sendo o maior mercado de drogas ilícitas no mundo. Uma em cada 20 mortes de pessoas entre 15 e 64 anos na América do Norte tem a ver com o abuso de drogas.

Brasil

Segundo o relatório, o Brasil ao lado de outros países como Argentina, Índia, Grã-Bretanha e Paquistão, teria perdido o prazo de entrega dos dados estatísticos sobre substâncias psicotrópicas em 2011. Os especialistas lembraram que esses países são importantes produtores, exportadores e importadores de drogas.

Cocaína apreendida

Ainda em 2011, nove das grandes 14 apreensões de cocaína foram feitas no oeste da África. Quase metade da cocaína escondida em contêineres, tranportados pelo mar, era proveniente do Brasil.

Segundo a Jife, devido à posição geográfica com um litoral extenso, o Brasil tem dificuldade em implementar e fortalecer as leis contra o tráfico de drogas. Mas de acordo com a Junta, o governo brasileiro tem se esforçado em combater o tráfico utilizando aeronaves de segurança, contêineres e scanners.

Reabilitação

Os especialistas da ONU notaram ainda os esforços brasileiros para prevenir o uso de entorpecentes e estabelecer redes de reabilitação e tratamento. A Junta afirmou que os programas devem ser levados também ao sistema prisional. E lembrou que o país tem um problema grave com o abuso do crack.

As apreensões no Brasil da chamada cannabis herbácea aumentaram 12% no ano passado, se comparadas às operações de 2011. No total, foram 174 toneladas.

Já as apreensões de cocaína, em forma de sais, caíram em vários países sul-americanos incluindo o Brasil.  A polícia brasileira apreendeu no ano passado 24,5 toneladas de cocaína em forma de sais e base, e mais da metade vinha da vizinha Bolívia. No geral, a prevalência do uso de cocaína na América do Sul permaneceu estável em torno de 0,7%. Já no Brasil, esta média sobe para 2%.

Drogas Sintéticas

O Unodc está preocupado com o aumento de drogas sintéticas em toda a América do Sul. Somente no ano passado, o Brasil apreendeu 259 mil comprimidos de ecstasy, 170 mil anfetaminas e 48 mil metanfetaminas.

O abuso de produtos farmacêuticos como tranquilizantes e estimulantes é classificado de um problema pelos especialistas.

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo mostra que 7% dos brasileiros entre 19 e 59 anos já fumou maconha pelo menos uma vez, e mais

Combate ao tráfico ilegal de drogas

de 60% deles antes de completarem 18 anos. Dos usuários de cannabis, 37% são considerados viciados. A legalização da maconha continua sendo oposta por três quartos da população brasileira.

Ainda na região, a Jife mostrou-se preocupada com a notícia veiculada em agosto passado, de que o governo do Uruguai havia apresentado um projeto de lei ao Congresso para legalizar a produção e venda de cannabis no país, e o governo, neste caso, se encarregaria de regular as atividades de produção, venda e importação.

*Apresentação: Edgard Júnior

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 31 DE JULHO DE 2014
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