Alta comissária condena novos ataques a albinos na Tanzânia

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Navi Pillay quer que as autoridades tomem medidas para conter agressões e combater a discriminação; bebê de sete meses escapou após moradores cercarem a casa, mas crianças de 7 e 10 anos foram desmembradas.

Navi Pillay

 Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse que está "horrorizada" com o aumento de ataques a pessoas que sofrem de albinismo na Tanzânia.

Em comunicado, emitido nesta terça-feira, Navi Pillay afirmou que as autoridades devem conter os ataques e combater as causas da discriminação aos albinos.

Crianças

Segundo especialistas, o albinismo é causado por diferentes alterações dos genes levando à ausência de melanina, que dá cor à pele protegendo da radiação ultravioleta.

Navi Pillay afirmou que os ataques no país do sudeste da África são "cometidos de forma horrenda levando ao desmembramento das vítimas incluindo crianças quando elas ainda estão vivas."

Em apenas 16 dias, houve quatro novos ataques contra albinos na Tanzânia, três vítimas eram crianças.

Avô

No último dia de janeiro, um menino de 7 anos foi brutalmente assassinado no vilarejo de Kanunge, na região de Tabora. Os assassinos cortaram partes do corpo dele. O avô do menino, de 95 anos, também foi morto quando tentava proteger o neto.

Um atentado semelhante ocorreu duas semanas após contra um garoto de 10 anos, albino, que voltava da escola na região de Rukwa. Ele também teve o braço esquerdo decepado.

Já um bebê albino de sete meses conseguiu escapar de homens armados, quando os moradores do local cercaram a casa para protegê-lo.

Perseguição

Mas a perseguição aos albinos na Tanzânia inclui ainda adultos. O país está realizando o julgamento de cinco homens que atacaram uma mulher albina de 39 anos, durante a madrugada de 11 de fevereiro. A polícia conseguiu prender os suspeitos e recuperar o braço esquerdo da vítima, que havia sido cortado.

De acordo com o Alto Comissariado da ONU, o assassinato e mutilação de pessoas com albinismo na Tanzânia é geralmente ligado a casos de bruxaria.

Alguns praticantes acreditam que "a bruxaria tem mais poder quando as vítimas gritam durante a amputação, o que explica as mutilações com as pessoas em vida."

Obrigação de Proteger

Mas segundo a ONU, raros são os casos que acabam na Justiça. De 72 assassinatos de pessoas com albinismo no país africano, desde 2000, apenas cinco foram levados até à condenação.

A alta comissária Navi Pillay encerrou a nota dizendo que o governo tanzaniano tem a obrigação de proteger a comunidade albina do país, além de lutar contra a impunidade para este tipo de crime. Ela também afirmou que a Tanzânia precisa fazer campanhas para combater o estigma sobre a doença.

As famílias que têm albinos geralmente negligenciam a educação das crianças por causa das perseguições na escola. Muitos albinos acabam deixando de estudar e sendo levados a uma vida de pobreza.

Para Navi Pillay, o problema é ainda um caso de saúde pública, uma vez que marginalizados, os albinos não poderão obter os cuidados que precisam ter para se tratar.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 18 DE SETEMBRO DE 2014
JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 18 DE SETEMBRO DE 2014
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