Especialistas da ONU querem inquérito sobre Coreia do Norte

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Segundo grupo, centenas de milhares de pessoas estariam em campos de prisão política; presume-se que punição nos locais envolva fuzilamento e enforcamento.

 

Marzuki Darusman

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

Vários peritos independentes das Nações Unidas pediram, nesta quinta-feira, que seja lançada uma investigação internacional sobre os abusos de direitos humanos na Coreia do Norte.

Em comunicado, o grupo estima que centenas de milhares de prisioneiros e suas famílias sejam vítimas do sistema extensivo de campos de prisão política.

Violações

O especialista em Direitos Humanos no país, Marzuki Darusman, pediu que a entidade recomende formas de garantir a punição de possíveis crimes contra a humanidade, após apurar as violações.

Já o presidente do grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária, El-Hadji Malick Sow, afirmou que que vários prisioneiros foram declarados culpados de crimes políticos. O motivo vai desde a manifestação críticas ao governo e ao socialismo à leitura de jornais estrangeiros.

Alimentos

O relator especial sobre Tortura, Juan Méndez, citou relatos de exploração sexual e de violação de prisioneiras por guardas, em troca de alimentos ou da atribuição de tarefas menos perigosas.

Em caso de gravidez, as vítimas podem ser forçadas ao aborto ou mesmo assassinadas, disse Méndez. Para o perito, os atos de tortura são comuns devido à quebra de regras do acampamento, como o não cumprimento de metas de produção.

Castigo

O relator especial sobre execuções sumárias, arbitrárias e extrajudiciais, Christof Heyns, falou da punição com execuções, principalmente por fuzilamento ou por enforcamento. Os tipos de castigo seriam aplicados supostamente a prisioneiros que tentam fugir.

Os peritos destacam que os detidos não têm acesso a cuidados de saúde e que as rações alimentares são bastante limitadas. Os prisioneiros seriam ainda forçados a trabalhar sete dias por semana em indústrias como a mineração e campos agrícolas, por vezes em condições perigosas.

Sobreviventes

Os especialistas defendem que até três gerações de familiares dos detidos são enviados para os campos, com base em culpa por associação.

Em dezembro, a alta comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, encontrou-se com dois sobreviventes de campos de detenção política. Acredita-se que pelo menos 150 mil pessoas estejam presas, nos locais que podem estar abertos desde 1950.

Um relatório detalhado sobre a situação dos direitos Humanos na Coreia do Norte deve ser apresentado a 11 de março, na sessão de Direitos Humanos que decorre em Genebra.

* Apresentação: Edgard Júnior.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 25 DE JULHO DE 2014
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