Comissão diz que ambos os lados do conflito na Síria desrespeitam vida

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Em novo relatório, divulgado nesta segunda, grupo afirmou que opositores e forças do governo de Bashar al-Assad estão matando, torturando e realizando prisões arbitrárias; crianças menores de 15 anos estão sendo vítimas da violência.

Crianças sírias refugiadas no Líbano. Foto: Acnur

 

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre a Síria divulgou um novo relatório criticando o nível de violência de ambas as partes do conflito.

 O presidente da Comissão, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, e uma das integrantes do grupo, a jurista Carla del Ponte, afirmaram que é preciso alcançar uma solução política imediata para por fim às mortes.

 Depoimentos

Pinheiro e del Ponte apresentaram os novos dados do relatório, nesta segunda-feira, em Genebra. O presidente da Comissão falou por videoconferência.

 

O governo da Síria não permite a entrada da Comissão, que se baseia, principalmente, em depoimentos de sírios que fogem para os países vizinhos. Ao todo, cerca de 820 mil pessoas pediram asilo nas nações que fazem fronteira com a Síria.

Segundo esses relatos, grande parte do país árabe continua sendo alvo de ataques e táticas brutais a civis. Um outro fator preocupante é a presença de combatentes estrangeiros e grupos extremistas.

Diferença

Testemunhas dizem que em toda a Síria estão ocorrendo controles e buscas em casas, e que forças do governo e milícias simpatizantes do presidente Bashar al-Assad estão prendendo cidadãos deliberadamente.

 Há casos ainda de centros de detenção extraoficiais, onde estão ocorrendo assassinatos, torturas, estupros e desaparecimentos forçados. Alguns desertores do regime sírio afirmam que não existe diferença entre combatentes e civis, nesse momento.

Fila do Pão

A Comissão chamou ainda a atenção para uma série de ataques aéreos contra hospitais, padarias e filas de distribuição de pão. Numa ocasião, jatos da força aérea síria atacaram uma fila de pão matando centenas de pessoas que sofriam com a escassez do alimento.

O grupo informou que forças antigovernamentais também estão cometendo assassinatos e torturas assim que assumem o controle de territórios. Há alegações de que os opositores estariam fazendo detenções ilegais e criando reféns, o que pode ser constituído crimes de guerra.

Crianças

As crianças também estão sendo vítimas do conflito na Síria. Haveria provas de que menores de 15 anos foram recrutados por grupos armados contra o governo, e de que forças pró-governo mataram e torturaram crianças.

O relatório destacou o que chamou de criminalidade oportunista por causa da situação de casos e o desastre humano com dezenas de milhares de mortos, além de milhões de pessoas que tiveram que fugir de suas casas por causa do conflito.

No próximo mês, a Comissão de Inquérito sobre a Síria irá entregar ao Conselho de Direitos Humanos uma lista confidencial com nomes de responsáveis pelos crimes.

A Comissão também está investigando a possibilidade de "todos os tipos de massacres" durante o conflito sírio.

 

 

 

 

 

 

 

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 19 DE DEZEMBRO DE 2014
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