Brasil envia a maior parte da cocaína que chega a Guiné-Bissau

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Relatório da Unodc disse que narcotráfico ameaça segurança da África Ocidental; segundo agência da ONU, mais de 2 toneladas da droga foram apreendidas no país nos últimos seis anos

Cocaína apreendida

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

O Escritório da ONU sobre Drogas e o Crime, Unodc, afirmou que 2,140 quilos de cocaína foram apreendidos na Guiné-Bissau, a maior quantidade registrada na África Ocidental entre 2005 a 2011.

O relatório "Crime Organizado Transnacional na África Ocidental: Uma Avaliação da Ameaça", revela que o país é o mais gravemente atingido pelo tráfico da droga.  O documento, divulgado, esta segunda-feira, faz alusão ao envolvimento de militares e políticos do país no narcotráfico.

Brasil

O relatório destaca o Brasil como uma fonte de cocaína para a Guiné-Bissau e também para os países da região.

Nos últimos anos houve um aumento da quantidade de coca traficada para e através do Brasil. O documento mostra que a comunidade nigeriana de São Paulo assumiu o controle das exportações, deixando o mercado interno para os grupos crminosos locais.

Nigerianos

Calcula-se que cerca de 90% das mulas, pessoas que viajam com as drogas, presas no aeroporto internacional de São Paulo teriam obtido a cocaína de grupos nigerianos.

A maioria dos envios é feita para Angola e África do Sul. Em dois voos de São Paulo para Luanda em 2011, as autoridades angolanas fizeram uma busca em passageiros e encontraram mais de 20 envios de cocaína em cada.

Vítimas

O estudo mostra ainda o sequestro, a morte e a intimidação de jornalistas, de policiais, de juízes, de militares além de autoridades eleitas caso desafiem os traficantes. Os autores dos crimes também foram vítimas de seus rivais.

De acordo com o Unodc, o tráfico de cocaína esteve por detrás da instabilidade e da venda ilegal de armas de fogo na Guiné-Bissau e também, da rebelião no norte do Mali.

O documento aborda o financiamento da pirataria marítima, que ameaça minar o comércio no Golfo da Guiné. Para a Unodc, os fluxos da droga demonstram o ressurgimento do crime organizado transnacional, tendo chegado "ao nível de ameaça à segurança na África Ocidental."

Orçamentos

O tráfico de cocaína é tido como a atividade criminosa mais lucrativa na região. O fluxo da droga caiu para cerca de 18 toneladas anuais em 2010, de um pico de 47 toneladas em 2007.

Mas o estudo revela que os lucros do comércio ilegal da droga podem ser ainda maiores do que os orçamentos de segurança nacionais de vários países da África Ocidental.

Grupos Independentes

A cocaína, tida antes como propriedade de grupos sul-americanos que usavam a logística da região, estaria também sendo traficada por grupos independentes da África Ocidental que levam drogas para a região.

Além do produto, o estudo indica o surgimento da produção e do tráfico da metanfetamina. Em 2011 e 2012, dois laboratórios foram detectados na Nigéria.

Europa

Depois do fornecimento para o consumo na África Austral, o resto da droga  é transportado dos países da região para a África Ocidental ou diretamente para a Europa.

Estima-se que 3 mil transportadores de metanfetamina tenham viajado da África Ocidental para a Ásia Oriental em 2010, levando drogas no valor de cerca de US$ 360 milhões, o equivalente a R$ 720 milhões.

* Apresentação Edgard Júnior

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 21 DE AGOSTO DE 2014
JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 21 DE AGOSTO DE 2014
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