Tempestades e enchentes no Líbano afetam refugiados sírios
Ouvir /Temperaturas abaixo de zero, fortes ventos e intensa nevasca compromete milhares de deslocados no país; norte da Jordânia em situação ainda mais grave.
Camilo Malheiros Freire, da Rádio ONU em Nova York.*
Desde o começo da semana fortes chuvas e uma nevasca assolaram o Líbano, colocando grande parte da população em situação de emergência.
Milhares de sírios refugiados no país também foram afetados, principalmente os que vivem em campos para deslocados. Serviços básicos, como aquecimento e saneamento, estão em condições precárias.
Inverno Rigoroso
O Vale do Bekaa, entre a fronteira da Síria com o Líbano, é uma das principais entradas de refugiados sírios. Temperaturas abaixo de zero, fortes ventos e dois dias de chuvas, seguidos de intensa nevasca, chegaram a destruir as tendas de muitas famílias vivendo em acampamentos.
Mohamed Sleiman, agricultor libanês que vive na região, e que morou muitos anos no Brasil, falou à Radio ONU sobre os estragos causados pelo começo rigoroso do inverno.
"Teve uma tempestade muito forte, trazendo bastante frio, bastante neve, causando bastante transtorno para as populações em várias regiões no Líbano, principalmente na capital e aqui no Vale do Bekaa. Várias cidades já sofreram enchentes nas ruas, e a região agricultural também foi afetada, principalmente porque muita água acaba trazendo prejuízos no setor agrícola, e a região aqui é basicamente agrícola."
Sleiman acrescentou que a grande maioria dos refugiados sírios na região não moram em tendas, mas em residências de amigos, familiares, ou muitas vezes alugadas.
Integração
Segundo Sleiman, o Vale do Bekaa é uma região com intensa migração síria rotativa. Durante as estações quentes, muitos sírios migram para a área em busca de trabalho temporário.
Mas nessa época do ano, com o começo do inverno, eles já voltavam para suas famílias na Síria, explicou o agricultor.
"Os sírios sim, eles têm o direito de trabalhar no Líbano. Em épocas normais, antes de começar o conflito na Síria, havia uma mão de obra muito grande aqui trabalhando na agricultura e na construção civil. Em épocas normais, agora que o número é muito maior, não há emprego pra todo mundo."
Jordânia
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a situação dos refugiados sírios no norte da Jordânia é ainda mais grave. Fortes chuvas alagaram um acampamento, onde vivem cerca de 55 mil deslocados, o que, disse a agência, tornou ainda mais precária a condição particularmente vulnerável em que vivem milhares de crianças.
Segundo estimativas da ONU, quase 600 mil sírios deixaram seu país, e cerca de 60 mil morreram desde que os protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad começaram, há quase dois anos.
*Apresentação: Edgard Pinto






