Relatório da ONU indica violações de direitos humanos no Mali

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Análise, publicada pelo Escritório da alta comissária de Direitos Humanos, traz relatos de execuções sumárias e abusos sexuais; agência humanitária da ONU reforça trabalhos no país.

Deslocadas internas no Mali. Foto: Acnur

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

A crise no Mali levou a várias violações de direitos humanos, incluindo assassinatos, estupros e tortura. A afirmação está em relatório feito a pedido do Conselho de Direitos Humanos da ONU e publicado pelo escritório da alta comissária sobre o tema, Navi Pillay.

O documento traz os resultados de uma missão de direitos humanos que visitou o país africano em novembro. As violações foram cometidas tanto no norte do Mali, como na área controlada pelo governo.

Civis

Em Genebra, o porta-voz do escritório de Direitos Humanos da ONU relatou, nesta sexta-feira, alguns exemplos de violações, como soldados da tribo tuareg que teriam sido vítimas de represálias do exército do Mali. Nove pessoas morreram.

Rupert Colville afirmou que mortes de civis também foram reportadas, como pessoas que tentaram resistir a saques em armazéns humanitários em abril. Em julho, um casal foi apedrejado até a morte por rebeldes islâmicos.

Casos

O porta-voz citou que grupos extremistas também amputaram partes do corpo de pelo menos 10 pessoas, como um homem de 30 anos que teve a mão direita arrancada com uma faca, após ser acusado de roubar gado.

Colville contou ainda que várias mulheres sofreram violência sexual, incluindo uma jovem de 22 anos que foi estuprada por seis homens armados do grupo Ansar Dine, por não usar um veu no rosto dentro de sua própria casa.

De acordo com Rupert Colville, violações de mulheres e meninas, muitas vezes, ocorreram na frente de familiares e foram usadas no norte do Mali como forma de intimidação.

Casamentos Forçados

O relatório afirma que meninas de 12 ou 13 anos foram forçadas a casar com membros das milícias islâmicas, incluindo uma ligada à organização Al Qaeda.

Membros da polícia e militares suspeitos de apoiar o golpe de Estado, ocorrido no ano passado, foram presos, abusados e torturados. A missão de direitos humanos expressou "alarme" com o aumento das tensões no país.

Malineses recebem comida do PMA

Refugiados

Já o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, anunciou nesta sexta que está reforçando suas equipes na região. O novo plano do Acnur prevê ajuda para até 300 mil deslocados internos e até 407 mil civis que poderão pedir refúgio em países vizinhos, como Burkina Fasso e Mauritânia.

Segundo o Acnur, alguns refugiados chegam a Burkina Fasso usando transporte público e pagando US$ 50, ou R$ 100, pela viagem, o que para muitos representa mais de um mês de salário.

Alimentos

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, afirmou que 1,8 milhão de pessoas estão vivendo nas regiões mais afetadas pelo conflito e um terço desses malineses sofrem insegurança alimentar.

O PMA está pronto para ajudar os civis assim que a situação permitir. A distribuição de alimentos para mais de 1,5 mil deslocados internos foi suspensa esta semana na região de Mopti.

Segundo a agência, a falta de dinheiro é mais um problema para a situação já crítica de comida no país, que enfrenta escassez de cereais e legumes.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 19 DE SETEMBRO DE 2014
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