Pillay aplaude movimento na Índia para erradicar prática de limpeza manual

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Mulheres que retiram excrementos humanos e de animais dos esgotos do país são discriminadas por sua casta; marcha pede o fim da prática.

Mulheres dalit. Foto: ONU Mulheres/Leena Patel

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos elogiou, nesta quinta-feira, um movimento que está ocorrendo na Índia para erradicar a prática conhecida como "limpeza manual das ruas". Excrementos humanos e de animais são retirados das latrinas e dos esgotos com vassouras ou baldes.

Por conta do estigma, o trabalho tem sido feito tradicionalmente por mulheres dalit, em uma manifestação clara da discriminação baseada em casta e gênero. O povo dalit, conhecido como "impuro", está no nível mais baixo do sistema de castas do hinduísmo.

Marcha

A alta comissária Navi Pillay parabenizou a "Marcha Nacional para a Erradicação da Limpeza Manual". O movimento pede o fim da prática e a reabilitação das mulheres que fazem o trabalho. A marcha começou em novembro e está sendo concluída em Nova Délhi nesta quinta-feira.

Pillay reconheceu o compromisso de organizadores e participantes do movimento, que saíram pelas ruas do país para apoiar as mulheres que "ainda são forçadas a cumprir uma prática terrível".

Segundo a alta comissária, cerca de 90% das muheres que limpam os bueiros são dalit e enfrentam desigualdades e discriminação, além de estarem expostas à violência e exploração.

Projeto de Lei

Pillay lembrou que o trabalho é "altamente insalubre, repugnante e pouco digno". A alta comissária disse estar "animada em saber que a marcha teve o apoio de uma grande parcela da sociedade, que se uniu para abolir uma forma de trabalho degradante, que sequer deveria existir no século 21."

Em setembro do ano passado, um projeto de lei para proibir a prática foi submetido ao Parlamento da Índia pelo Ministério da Justiça Social. Pillay acredita que o projeto tem uma base sólida e ela defende a garantia de recursos para permitir a total reabilitação daqueles que deixam de realizar o trabalho.

Navi Pillay acredita que esta é a única maneira de reintegrar, com sucesso, essas pessoas que "foram e estão sendo exploradas, e garantir um ambiente de trabalho digno."

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 26 DE DEZEMBRO DE 2014
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