Especial: Três anos depois, Haiti se recupera do terremoto

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ONU diz que houve progresso na retirada dos entulhos, vacinação de crianças e criação de empregos; mas alerta que muitos desafios continuam e que a ilha ainda precisa do apoio internacional.

Crianças no Haiti Foto: OIM

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.*

No aniversário de três anos do terremoto que atingiu o Haiti, em 12 de janeiro de 2010, as Nações Unidas informaram que houve avanços no processo de reconstrução do país.

A chefe da Fundação ONU, Kathy Calvin, afirmou que a organização continua avaliando as necessidades dos haitianos e ajudando na reconstrução do país.

Pólio

Segundo ela, já foram retirados 80% dos entulhos e destroços do terremoto. Mais de 158 mil famílias saíram dos campos de desabrigados e receberam casas para morar. Além disso, quase 3 milhões de crianças, menores de 10 anos, foram vacinadas contra a pólio.

Calvin disse ainda que 470 mil empregos foram criados desde 2010. O Programa Mundial de Alimentos, PMA, informou que fornece merenda escolar a 685 mil crianças no Haiti. Segundo o PMA, a refeição ajuda no aprendizado e também na frequência.

Já a diretora do Pnud para a América Latina e o Caribe, Jessica Faieta, afirmou, que estão sendo implementados programas de prevenção de desastres na ilha.

Países Doadores

O governo haitiano já é capaz de aplicar várias políticas e programas de assistência, mas de acordo com o Pnud, a ilha ainda precisa da ajuda dos países

Deslocados no Haiti. Foto: OIM

doadores.

Outras iniciativas incluem a vacinação da população e a implementação de novas estratégias de construção, especialmente de hospitais, para que  possam continuar operando em caso de outro terremoto.

O subsecretário-geral das Nações Unidas para Manutenção da Paz, Hervé Ladsous, disse que a data serve como uma oportunidade para lembrar das pessoas que morreram na tragédia. Em visita a Porto Príncipe, ele afirmou que muitos esforços ainda são necessários para melhorar a polícia nacional do Haiti e também para reforçar o "Estado de Direito".

Falta de Verba

A segurança, aliás, é uma preocupação também nos acampamentos temporários. O gerente da Organização Internacional para Migrações, OIM, François Desruisseaux, afirmou que a situação é "muito ruim" nos campos de desalojados do Haiti

Segundo ele, os serviços diminuíram de forma significativa por causa da falta de verba. Desruisseaux falou sobre a insegurança nos mais de 400 campos. Ele disse que além das gangues, outras atividades criminosas acontecem na região porque a polícia não tem condições de patrulhar todas as áreas.

Parte da solução, para a organização internacional Oxfam, é a implementação de um plano de longo prazo que seja administrado pelos próprios haitianos.

Engenheiros Militares

General Fernando Goulart

Para o comandante da Missão das Nações Unidas no Haiti, Minustah, general Fernando Goulart, uma das conquistas desde o terrremoto foi o trabalho de reconstrução por parte de engenheiros militares, que no primeiro momento, removeram escombros e ajudaram a demolir prédios condenados pelo terremoto. O general falou à Rádio ONU, de Porto Príncipe, sobre os trabalhos de reconstrução de pontes e estradas.

"O balanço é bastante positivo hoje depois desses três anos. O terremoto no Haiti foi o pior acidente natural na história das Nações Unidas e foi uma catástrofe, sem precedentes, nesse país. Então, eu diria, que a presença da Minustah, das Nações Unidas por intermédio da Minustah, e das agências, fundos e programas especializados aqui, foi fundamental."

Cólera

Um outro desafio enfrentado pelos haitianos e agravado após o terremoto foi a situação do cólera. No fim do ano passado, o Secretário-Geral da ONU lançou uma iniciativa equivalente a R$ 1 bilhão para eliminar a doença no país.

Ban Ki-moon nomeou o médico especializado em doenças tropicais, Paul Farmer, da Universidade de Harvard, para coordenar o projeto.

De acordo com a ONU, o cólera já matou mais de 7,7 mil pessoas e infectou 620 mil haitianos desde o surto em outubro de 2010.

Sobrevivente

Com a iniciativa, o país deverá receber investimentos nas áreas de prevenção, tratamento e informação, além de ampliação da rede de fornecimento de água potável e saneamento básico.

Quem viveu o terremoto de perto e sobreviveu a tragédia foi o especialista em parcerias do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, Jean Philippe Bernardini. Ele chegou ao Haiti três meses antes do terremoto onde ficou até outubro passado. Na hora do sismo, ele estava no complexo da ONU na capital do país, Porto Princípe.

Projetos

O especialista do Pnud contou que existem diversos projetos do governo

Haiti foi afetado por terremoto em 2010

paragarantir habitação aos deslocados, incluindo a construção de casas, subsídio de aluguel e apoio para a reconstrução de moradias destruídas. Os projetos têm o apoio da ONU.

"Quem tinha uma casa, em geral pode voltar a sua casa com apoio da comunidade internacional e do governo para reconstruir essa casa, com formação para construção, apoio de engenheiros. Aqueles que já alugavam, voltaram a alugar com subsídio financeiro por pelo menos um ano. E há um maior controle sobre a qualidade dessas habitações e análise de risco. Não se permitiu a pessoas que moravam em zonas propícias aos desastres, em particular deslizamentos, que voltassem para essas zonas."

Visão

Jean Philippe lamenta o que ele chamou de "visão pessimista" em relação ao Haiti.

"Eu falei que 80% dos desabrigados haviam encontrado soluções de moradia. 80% também dos destroços já foram retirados. Isso é enorme, 80% de 10 milhões de metros cúbicos (de entulho). Isso se deve à força dessa população. Não havia um hatiano depois do terremoto que não tivesse sofrido consequ/ências drásticas nas suas vidas. Conheço poucos povos que tão rapidamente teriam a força pra se levantar e começar a avançar, começar a demandar do governo, irem à urna votar. Isso é um exemplo enorme. Não reconhecer isso é uma injustiça enorme e sei que isso machuca muito os hatianos."

Terremoto completa três anos no sábado

As vítimas do terremoto no Haiti, incluindo 102 funcionários da ONU que perderam a vida no tremor, estão sendo lembradas numa cerimônia na sede da Minustah, na capital haitiana, Porto Príncipe, neste fim de semana.

Reportagem: Eleutério Guevane e Leda Letra.

Ouça a entrevista na íntegra do comandante das forças da ONU no Haiti, general Fernando Goulart.

JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 21 DE NOVEMBRO DE 2014
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